Porque é tão difícil celebrar as nossas próprias conquistas?

Já reparaste como é muito mais fácil reconhecer a conquista de outra pessoa do que a nossa?

Quando uma amiga consegue um emprego, ficamos genuinamente felizes por ela. Quando alguém termina a universidade, queremos celebrar. Quando uma pessoa começa um projecto, alcança um objectivo ou consegue finalmente fazer alguma coisa que estava a tentar há meses, conseguimos olhar para aquilo e pensar:

“Uau. Ela conseguiu mesmo.”

Mas quando somos nós?

Às vezes a reacção é:

“Finalmente.”

“Era o mínimo.”

“Não foi nada de especial.”

“Agora preciso de fazer isto.”

E seguimos em frente.

Como se não tivéssemos acabado de fazer algo que, há alguns meses, talvez nem soubéssemos se conseguiríamos fazer.

Porque é que nunca parece suficiente?

Acho que uma das razões pelas quais temos dificuldade em celebrar as nossas conquistas é porque nos habituámos a olhar para a vida como uma sequência de coisas que ainda precisamos alcançar.

Terminamos uma tarefa e já pensamos na próxima.

Conseguimos uma oportunidade e imediatamente começamos a pensar em como conseguir uma melhor.

Alcançamos um objectivo e aumentamos a meta.

É como se houvesse sempre uma versão futura de nós à nossa frente, a dizer:

“Está bem, mas e agora?”

E, sem percebermos, começamos a medir o nosso valor pelo próximo objectivo.

O problema é que, se fizermos isso constantemente, nunca chegamos realmente a sentir que conseguimos.

Porque sempre haverá alguma coisa depois.

Às vezes diminuímos aquilo que conseguimos

Também existe uma coisa curiosa que fazemos:

mudamos a importância da conquista depois de a conseguirmos.

Antes de acontecer, parecia enorme, pensávamos nisso todos os dias, tínhamos medo de não conseguir.

Ficávamos ansiosas, trabalhávamos para aquilo. E quando finalmente acontece, de repente parece que não foi assim tão difícil.

“Qualquer pessoa conseguiria.”

“Não fiz nada de extraordinário.”

“Só tive sorte.”

“Demorou muito, por isso nem conta.”

Mas o facto de algo ter acontecido não significa que tenha sido fácil. E ter conseguido não apaga tudo aquilo que aconteceu antes.

O esforço continua a existir, as tentativas continuam a existir, os dias em que quase desististe continuam a existir.

Talvez estejamos demasiado habituadas a pensar no que falta

É muito fácil olhar para aquilo que ainda não somos.

Ainda não tenho o emprego que quero.

Ainda não ganho o suficiente.

Ainda não tenho o corpo que gostaria.

Ainda não alcancei aquele objectivo.

Ainda não sei exactamente o que quero fazer.

Ainda não estou onde imaginei que estaria.

E quando olhamos constantemente para o que falta, aquilo que já conseguimos começa a desaparecer da nossa visão.

Por isso, às vezes, acho que precisamos de fazer uma pausa e perguntar:

“Espera. O que é que eu já fiz?”

Não o que falta! Não o próximo objectivo.

Não aquilo que outra pessoa da nossa idade já conseguiu.

O que é que eu já fiz?

Celebrar não significa achar que já fizeste tudo

Talvez uma das razões pelas quais algumas pessoas têm dificuldade em celebrar seja o medo de ficarem acomodadas.

Como se reconhecer uma conquista significasse deixar de querer crescer.

Mas não significa.

Posso estar orgulhosa de mim e continuar a querer melhorar, posso reconhecer que fiz um bom trabalho e ainda querer aprender, posso celebrar aquilo que alcancei sem decidir que aquilo é o máximo que consigo fazer.

Gratidão pelo caminho não significa falta de ambição.

Podemos querer mais sem tratar aquilo que já temos como insuficiente.

E não precisas de esperar por uma grande conquista

Às vezes pensamos que só podemos celebrar coisas enormes.

Conseguir o emprego.

Terminar a universidade.

Comprar uma casa.

Começar um negócio.

Viajar para outro país.

Mas e as pequenas coisas?

Conseguiste finalmente começar aquele projecto.

Foste consistente durante algumas semanas.

Tiveste coragem para fazer uma coisa que te assustava.

Disseste não quando normalmente terias dito sim.

Começaste a cuidar melhor de ti.

Terminaste alguma coisa que estavas a adiar.

Pediste ajuda.

Mudaste de opinião.

Começaste de novo.

Tudo isso também conta.

A vida não é feita apenas das grandes fotografias que colocamos nas redes sociais.

Existe muito crescimento a acontecer em coisas que ninguém vê.

Aprendi que celebrar também é reconhecer quem eu era antes

Gosto desta ideia porque uma conquista não é apenas sobre o resultado.

É também sobre a pessoa que precisaste de ser para chegar até ali.

Talvez tenhas aprendido alguma coisa.

Talvez tenhas ultrapassado um medo.

Talvez tenhas ficado mais disciplinada.

Talvez tenhas aprendido a ter paciência.

Talvez simplesmente tenhas continuado mesmo quando não tinhas a certeza de que iria resultar.

Às vezes olhamos para a conquista e esquecemos de olhar para o caminho.

E é no caminho que está grande parte da história.

Então, como podemos começar a celebrar mais?

Não acho que exista uma fórmula.

Mas podemos começar por uma coisa muito simples:

parar.

Quando alguma coisa boa acontecer, não passes imediatamente para a próxima.

Deixa-te sentir feliz.

Conta a alguém de quem gostas.

Escreve sobre isso.

Tira uma fotografia.

Compra aquele pequeno mimo que querias.

Faz alguma coisa que te faça perceber:

“Eu consegui isto.”

E, principalmente, não sintas que precisas de justificar porque estás orgulhosa.

Não precisas ter feito algo extraordinário aos olhos de toda a gente.

A conquista é tua.

Tu sabes quanto te custou chegar até ali.

Tu já és a resposta para alguns dos desejos que um dia tiveste.

Acho que mereces reconhecer isso.

Não precisas esperar pela próxima grande conquista para teres orgulho de ti.

Podes olhar para aquilo que já fizeste e simplesmente dizer:

“Eu fiz isto. E estou orgulhosa de mim.”

Sem diminuir.

Sem comparar.

Sem acrescentar um “mas”.

Só isso.

E talvez celebrar as nossas conquistas seja, no fundo, uma forma de aprender a reconhecer que a nossa vida também está a acontecer enquanto ainda estamos a tentar chegar a algum lugar.

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