Autor: jorginadinis03@gmail.com

  • Como encontrar um hobby quando sentes que não tens nenhum

    3-4 minutos

    Às vezes perguntam-nos quais são os nossos hobbies e ficamos alguns segundos em silêncio.

    “Eu… não sei.”

    Talvez estudes, trabalhes, tenhas responsabilidades, passes algum tempo nas redes sociais e, quando alguém pergunta o que gostas de fazer no teu tempo livre, percebas que não tens uma resposta muito clara.

    E talvez penses que simplesmente não tens hobbies.

    Mas e se o problema não for esse?

    E se apenas te tiveres esquecido de experimentar coisas por prazer?

    Um hobby não precisa de ser extraordinário

    Acho que complicamos demasiado esta ideia.

    Quando pensamos em hobbies, imaginamos pessoas que pintam quadros incríveis, tocam três instrumentos, fazem cerâmica, correm maratonas ou têm alguma habilidade muito específica.

    Mas um hobby não precisa de ser impressionante.

    Pode ser ler.

    Pintar.

    Cozinhar.

    Fazer caminhadas.

    Fotografar.

    Aprender uma língua.

    Cuidar de plantas.

    Escrever.

    Ouvir música.

    Fazer puzzles.

    Ver filmes.

    Até aprender sobre um assunto só porque tens curiosidade pode tornar-se um hobby.

    Não precisas ser boa.

    Não precisas publicar o que fazes.

    Não precisas transformar aquilo numa carreira.

    Podes simplesmente gostar.

    Começa pela curiosidade

    Em vez de perguntares:

    “Qual é o meu hobby?”

    Experimenta perguntar:

    “O que tenho curiosidade de experimentar?”

    Talvez tenhas visto alguém a pintar e pensado que gostarias de tentar.

    Talvez tenhas vontade de aprender a tocar guitarra.

    Talvez queiras fazer fotografia.

    Talvez tenhas curiosidade sobre astronomia, culinária, dança ou escrita.

    Não precisas saber se vais gostar.

    Essa é precisamente a parte interessante.

    Experimenta.

    Dá-te permissão para ser má em alguma coisa

    Esta talvez seja uma das partes mais difíceis.

    Começamos alguma coisa e queremos ser bons imediatamente.

    Se o primeiro desenho fica horrível, pensamos que não temos jeito.

    Se não conseguimos tocar uma música depois de duas tentativas, desistimos.

    Se não conseguimos correr muito, concluímos que não somos pessoas de corrida.

    Mas é suposto seres má no início.

    Estás a aprender.

    Um hobby não é uma audição.

    Não há ninguém a avaliar-te.

    Podes começar do zero, fazer as coisas mal, aprender aos poucos e continuar mesmo assim.

    Na verdade, talvez uma das melhores coisas de ter um hobby seja justamente ter um espaço onde não precisas de ser excelente.

    Não transformes tudo em produtividade

    Vivemos numa altura em que parece que tudo precisa de ter uma utilidade.

    Se lês, devias estar a aprender alguma coisa.

    Se fazes exercício, devias ter um objectivo.

    Se aprendeste uma competência, devias monetizá-la.

    Se tens um hobby, alguém pergunta:

    “E isso dá dinheiro?”

    Nem tudo precisa de dar.

    Podes fazer alguma coisa simplesmente porque gostas.

    Podes pintar um quadro que nunca vais vender.

    Aprender uma música que só vais tocar para ti.

    Fazer uma sobremesa que vais comer em casa.

    Ler um livro que não vai melhorar o teu currículo.

    Nem tudo o que fazemos precisa de contribuir para a nossa carreira.

    Algumas coisas só precisam de fazer a vida mais interessante.

    Experimenta sem compromisso

    Se não sabes do que gostas, cria uma pequena lista de coisas que gostarias de experimentar.

    Escolhe uma por semana ou por mês.

    Experimenta durante algum tempo.

    Depois pergunta:

    Gostei?

    Quero continuar?

    Gostei da actividade ou gostei apenas da ideia que tinha dela?

    Se não gostaste, tudo bem.

    Passaste a saber mais uma coisa sobre ti.

    E podes experimentar outra.

    Não precisas encontrar “o teu hobby” imediatamente.

    Podes ter vários.

    Podes abandonar alguns.

    Podes voltar a outros anos depois.

    Os teus interesses também podem mudar contigo.

    Talvez o mais importante seja voltares a fazer coisas por prazer

    À medida que crescemos, começamos a pensar muito em resultados.

    Notas.

    Currículo.

    Dinheiro.

    Trabalho.

    Objectivos.

    Futuro.

    E, sem perceber, podemos deixar pouco espaço para fazer alguma coisa simplesmente porque nos apetece.

    Talvez encontrar um hobby seja menos sobre descobrir uma actividade perfeita e mais sobre voltar a perguntar:

    “O que é que eu gosto de fazer quando não estou a tentar ser útil?”

    Não precisas de uma resposta hoje.

    Experimenta.

    Sê curiosa.

    Sê iniciante.

    Faz coisas que não sabes fazer.

    E, principalmente, permite-te gostar de alguma coisa sem precisares de justificar porquê.

    Às vezes, um hobby não muda a tua carreira nem resolve a tua vida.

    Só torna os teus dias um pouco mais teus.

    E isso já é bastante.

  • Como aprender a gostar da tua própria companhia

    2-4 minutos

    Durante muito tempo, achei que estar sozinha era a mesma coisa que estar solitária.

    Se não tivesse ninguém para sair, conversar ou fazer alguma coisa comigo, parecia que faltava alguma coisa.

    Até perceber que existe uma diferença enorme entre estar sozinha e sentir-te sozinha.

    E aprender a gostar da tua própria companhia começa, em parte, por perceber isso.

    Estar sozinha não precisa de ser triste

    Às vezes, quando pensamos em fazer alguma coisa sozinhas, imaginamos logo aquela sensação estranha de estar num lugar cheio de pessoas sem ter ninguém ao nosso lado, mas estar sozinha também pode ser liberdade.

    Podes escolher onde ir, o que comer, quanto tempo ficar, que filme ver, que caminho fazer.

    Não precisas de esperar que alguém esteja disponível para viver alguma coisa que te apetece viver.

    E, sinceramente, há qualquer coisa muito bonita em perceber isso.

    Aprende a estar contigo sem precisares de te distrair

    É muito fácil preencher todos os espaços vazios.

    Pegamos no telemóvel.

    Ligamos uma série.

    Mandamos mensagem a alguém.

    Abrimos o TikTok.

    Estamos constantemente a consumir alguma coisa ou a falar com alguém.

    E, quando finalmente ficamos sozinhas e em silêncio, podemos perceber que nem sabemos muito bem o que fazer connosco.

    Por isso, talvez um bom começo seja aprender a passar pequenos momentos contigo sem precisares de preencher cada segundo.

    Fazer uma caminhada.

    Escrever no teu diário.

    Ouvir música.

    Ler.

    Pintar.

    Tomar um café.

    Ficar simplesmente sentada a pensar.

    Não precisas transformar todos esses momentos numa oportunidade de produtividade.

    Às vezes, podes simplesmente estar.

    Conhecer-te também acontece quando estás sozinha

    Quando estamos sempre rodeadas de pessoas, é fácil adaptar-nos.

    Gostamos do que o grupo gosta.

    Vamos onde os outros querem ir.

    Comemos o que todos querem comer.

    E, sem perceber, podemos passar muito tempo sem perguntar:

    “Mas eu, o que quero?”

    Estar sozinha dá-te espaço para descobrir isso.

    Que lugares gostas?

    Que coisas te divertem?

    Como gostas de passar o teu tempo?

    O que te deixa tranquila?

    O que realmente te interessa quando não estás a tentar impressionar ninguém?

    A tua própria companhia pode ensinar-te muito sobre quem és.

    Não precisas deixar de precisar das pessoas

    Gostar de estar sozinha não significa tornar-te uma pessoa completamente independente que nunca precisa de ninguém.

    Nós precisamos de pessoas.

    Precisamos de amizade, amor, conversa, apoio, abraços e companhia.

    A questão não é deixar de precisar dos outros.

    É não sentires que precisas sempre de alguém para conseguires aproveitar a tua própria vida.

    Existe uma diferença.

    Podes amar estar com as tuas pessoas e, ao mesmo tempo, gostar de passar uma tarde sozinha.

    Podes querer companhia e ainda assim saber aproveitar quando ela não está disponível.

    Podes sentir saudades de alguém sem sentires que estás incompleta.

    Começa pequeno

    Se a ideia de passar um dia inteiro sozinha te deixa desconfortável, não precisas começar por aí.

    Começa com meia hora.

    Vai tomar um café sozinha.

    Faz uma caminhada.

    Vai a uma livraria.

    Senta-te num jardim.

    Faz alguma coisa que normalmente farias acompanhada.

    No início pode parecer estranho.

    Talvez sintas que toda a gente está a reparar em ti.

    Provavelmente não está.

    E, aos poucos, aquilo que parecia estranho começa a tornar-se normal.

    Até chegares ao ponto em que percebes:

    “Eu gosto disto.”

    Talvez gostar da tua própria companhia não seja aprender a nunca te sentires sozinha.

    Talvez seja aprender que estar contigo também pode ser um lugar confortável para estar.

  • Como parar de sentir que estás atrasada profissionalmente

    4-7 minutos

    Há uma fase da vida em que parece que toda a gente começou a avançar menos tu.

    Uma pessoa conseguiu o primeiro estágio. Outra já está a trabalhar. Alguém começou um mestrado. Outra pessoa criou um negócio. Vês alguém da tua idade a publicar no LinkedIn sobre uma nova oportunidade e, de repente, começas a fazer contas.

    “Eu devia estar a fazer isto também.”

    “Se calhar estou atrasada.”

    “O que é que eu andei a fazer este tempo todo?”

    E o pior é que, às vezes, nem sequer estás insatisfeita com a tua vida.

    Só estás a olhar demasiado para a vida dos outros.

    Existe uma linha do tempo que ninguém te entregou

    Acho que uma das coisas que mais nos pressiona no início da vida adulta é a ideia de que existe uma idade certa para cada conquista.

    Aos 18 devias entrar na universidade.

    Aos 20 devias saber o que queres fazer.

    Aos 22 devias terminar o curso.

    Depois arranjar emprego.

    Depois construir carreira.

    E, de alguma forma, parece que se não cumprires esta sequência estás atrasada.

    Mas quem decidiu isso?

    A vida não funciona assim.

    Há pessoas que descobrem o que querem aos 18. Outras aos 25. Outras aos 30.

    Há quem comece a trabalhar cedo e depois perceba que quer mudar completamente de área.

    Há quem passe anos a estudar antes de descobrir aquilo que realmente gosta.

    Há quem tenha oportunidades muito cedo e há quem precise de esperar muito mais tempo por elas.

    Não existe uma única linha do tempo.

    Talvez não estejas atrasada. Talvez estejas a começar de um ponto diferente.

    É fácil olhar para alguém e comparar resultados.

    Mais difícil é lembrar que não começámos todos do mesmo lugar.

    As oportunidades que tiveste, o apoio que recebeste, os recursos que tinhas, as responsabilidades que carregaste, as pessoas que conheceste e até o lugar onde nasceste podem influenciar o caminho profissional de uma pessoa.

    Por isso, comparar apenas idades e conquistas não conta a história toda.

    E mesmo quando duas pessoas tiveram oportunidades semelhantes, continuam a ser pessoas diferentes.

    Com ritmos diferentes.

    Interesses diferentes.

    Prioridades diferentes.

    E vidas diferentes.

    O problema de transformar a carreira numa corrida

    Quando começas a pensar na tua carreira como uma corrida, qualquer pessoa que esteja à tua frente parece uma prova de que estás a perder.

    E isso pode fazer-te tomar decisões apenas para não ficares para trás.

    Aceitar qualquer oportunidade porque “precisas de começar”.

    Escolher uma área porque parece estar a dar certo para toda a gente.

    Fazer um curso só porque sentes que já devias estar a estudar alguma coisa.

    Candidatares-te a tudo, não porque queres aquelas oportunidades, mas porque tens medo de não ter nenhuma.

    E, sem perceberes, deixas de perguntar:

    “Isto faz sentido para mim?”

    E passas a perguntar:

    “Isto faz-me parecer avançada?”

    São coisas muito diferentes.

    Também podes estar a avançar sem teres uma grande conquista para mostrar

    Nem todo o progresso fica bonito num currículo.

    Aprender uma competência.

    Melhorar o teu inglês ou francês.

    Criar um projecto pessoal.

    Fazer um curso.

    Aprender a comunicar melhor.

    Descobrir que determinada área não é para ti.

    Começar a construir um portfólio.

    Ter coragem para te candidatares a uma oportunidade mesmo achando que não estás preparada.

    Até aprenderes a organizar melhor o teu tempo e a conheceres melhor aquilo que queres pode fazer parte da construção da tua carreira.

    Nem tudo precisa de aparecer numa publicação no LinkedIn para contar.

    E talvez precises de parar de olhar tanto para o que os outros estão a fazer

    Eu sei que é difícil.

    Principalmente quando as redes sociais transformam as conquistas das outras pessoas numa espécie de calendário público.

    Todos os dias há alguém a conseguir uma bolsa, um estágio, um emprego, uma promoção, a viajar, a terminar o curso ou a começar um projecto.

    E tu vês tudo.

    Só que ninguém publica os meses em que não aconteceu nada.

    As candidaturas que foram rejeitadas.

    As dúvidas.

    Os atrasos.

    As oportunidades que não apareceram.

    As vezes em que aquela pessoa também se sentiu perdida.

    Estás a comparar o teu processo inteiro com pequenos momentos seleccionados da vida de outras pessoas.

    É uma comparação impossível de ganhar.

    Pergunta-te: atrasada em relação a quê?

    Esta pergunta pode parecer simples, mas acho que vale a pena fazê-la.

    Atrasada em relação a quem?

    E, principalmente:

    Atrasada em relação a quê?

    Porque talvez tenhas uma ideia muito clara de onde “deverias” estar, mas nunca tenhas parado para perceber se esse lugar é realmente aquilo que queres.

    Talvez estejas a correr para chegar a um destino que escolheste apenas porque parecia ser o próximo passo.

    E talvez o que precises não seja de acelerar.

    Talvez precises de parar e escolher melhor a direcção.

    Não precisas recuperar o tempo perdido

    Se sentes que começaste tarde, é normal quereres compensar.

    Querer fazer tudo rapidamente.

    Aprender cinco competências ao mesmo tempo.

    Candidatares-te a todas as oportunidades.

    Trabalhar sem parar para “recuperar”.

    Mas a tua carreira não precisa de ser uma corrida para compensar os anos anteriores.

    Não precisas provar que consegues recuperar o tempo.

    Precisas de construir alguma coisa que faça sentido para ti daqui para a frente.

    E isso pode começar hoje.

    Com uma candidatura.

    Um projecto.

    Uma conversa.

    Uma pesquisa.

    Uma hora de estudo.

    Uma decisão que tens vindo a adiar.

    Não parece muito quando olhas para um único dia.

    Mas é assim que as coisas começam.

    O teu caminho não ficou para trás

    Talvez estejas exactamente onde precisas de estar para a próxima fase da tua vida.

    Ou talvez realmente precises de fazer algumas mudanças.

    Só tu podes descobrir isso.

    Mas tenta não tomar decisões importantes a partir do medo de estar atrasada.

    Não escolhas uma carreira porque toda a gente parece estar a escolhê-la.

    Não aceites uma oportunidade apenas para teres alguma coisa para mostrar.

    Não transformes a conquista de outra pessoa numa acusação contra ti.

    E não uses a idade como prova de que devias estar mais longe.

    A tua vida não tem uma data de validade para começar.

    Podes começar agora.

    Podes recomeçar.

    Podes mudar de área.

    Podes descobrir uma nova coisa aos 20, aos 25 ou aos 30.

    E talvez um dia olhes para trás e percebas que não estavas atrasada.

    Estavas apenas a construir o teu caminho num ritmo que não parecia igual ao dos outros.

    E tudo bem.

    Não precisas chegar primeiro.

    Precisas chegar a um lugar que realmente seja teu.

  • Como descobrir o que fazer profissionalmente

    4-5 minutos

    Durante muito tempo, achei que em algum momento simplesmente ia descobrir o que queria fazer profissionalmente.

    Como se houvesse uma profissão certa à minha espera e, quando eu encontrasse, tudo faria sentido: eu saberia o que estudar, que competências desenvolver, onde trabalhar e, finalmente, para onde estava a levar a minha vida.

    Só que a realidade é bem menos organizada do que isso.

    E talvez uma das coisas que mais dificulte descobrir o que queremos fazer seja precisamente a pressão para termos uma resposta definitiva.

    E se não souberes ainda?

    É difícil admitir que não sabes o que queres fazer quando parece que toda a gente à tua volta já decidiu.

    Há quem saiba desde criança o que quer ser. Há quem escolha um curso rapidamente. Há quem já esteja a fazer estágios, a trabalhar, a construir um negócio ou a falar sobre os próximos cinco anos como se tivesse um mapa completo.

    E tu podes estar simplesmente a pensar:

    “Eu não faço ideia.”

    Isso não significa que não tenhas ambição, nem que estejas atrasada, ou que não tenhas talento.

    Às vezes, só significa que ainda não tiveste experiências suficientes para perceber o que realmente combina contigo.

    Não tentes descobrir a profissão. Descobre-te primeiro.

    Uma pergunta como “O que quero fazer da vida?” pode ser demasiado grande.

    Em vez disso, começa por perguntas mais pequenas.

    O que gosto de fazer?

    Que assuntos me fazem perder a noção do tempo?

    Que problemas gosto de resolver?

    Prefiro trabalhar sozinha ou com outras pessoas?

    Gosto de criar, analisar, comunicar, organizar, ensinar, investigar ou construir?

    Que tipo de ambiente de trabalho consigo imaginar para mim?

    O que definitivamente não quero?

    Esta última pergunta é particularmente importante.

    Porque nem sempre descobrimos o nosso caminho sabendo imediatamente o que queremos.

    Às vezes descobrimos através daquilo que experimentamos e percebemos que não é para nós.

    E isso também é progresso.

    Experimenta antes de decidir

    Uma das coisas que mais pode ajudar a descobrir uma carreira é parar de tentar decidir tudo apenas na nossa cabeça.

    Pesquisa, sim, mas experimenta também.

    Faz um curso curto. Participa num projecto. Faz voluntariado. Aprende uma competência. Conversa com alguém que trabalha numa área que te interessa. Cria alguma coisa por conta própria. Faz um estágio quando tiveres oportunidade.

    Não precisas comprometer-te com uma profissão só porque decidiste experimentar.

    Experimentar não é escolher.

    É recolher informação sobre ti mesma.

    Talvez descubras que gostas muito mais daquela área do que imaginavas.

    Talvez percebas que não gostas.

    Talvez gostes, mas não da forma como imaginavas.

    Tudo isso é útil.

    Não escolhas apenas pelo que parece seguro

    Quando estamos perdidas profissionalmente, é tentador escolher aquilo que parece mais seguro.

    O curso com mais saída.

    A profissão que toda a gente considera boa.

    A área que paga melhor.

    O caminho que os nossos pais acham mais adequado.

    E, claro, estabilidade e dinheiro são factores importantes. Não precisamos fingir que não são.

    Mas uma carreira não é apenas uma lista de salários e oportunidades.

    Também vais passar uma parte enorme da tua vida a fazer esse trabalho.

    Por isso, vale a pena perguntar:

    “Consigo imaginar-me a viver esta rotina durante alguns anos?”

    Não apenas:

    “Esta profissão dá dinheiro?”

    Não compares o teu processo com o de outra pessoa

    Talvez a tua amiga já saiba exactamente o que quer fazer.

    Talvez alguém da tua idade já esteja a trabalhar na área dos sonhos.

    Talvez vejas pessoas no LinkedIn ou nas redes sociais a construir carreiras incríveis e sintas que devias estar a fazer muito mais.

    Mas estás a comparar o teu bastidor com o palco de outra pessoa.

    Tu não sabes quantas dúvidas aquela pessoa teve antes de chegar ali.

    Não sabes quantas vezes mudou de ideia.

    Não sabes o que aconteceu nos anos anteriores.

    E, principalmente, não precisas de estar no mesmo lugar que ela.

    A carreira não é uma corrida em que toda a gente começa e termina ao mesmo tempo.

    E se mudares de ideia?

    Podes.

    Escolher uma área aos 18, 20 ou 25 anos não significa assinar um contrato com o teu futuro.

    As pessoas mudam, os interesses mudam, as oportunidades mudam.

    A vida muda.

    E, às vezes, aquilo que parecia ser o caminho certo deixa de fazer sentido.

    Isso não significa necessariamente que tomaste uma decisão errada.

    Pode significar apenas que aprendeste mais sobre ti.

    Não precisas de permanecer numa escolha apenas para provar que foste consistente.

    Começa pelo próximo passo

    Talvez nunca tenhas aquele momento mágico em que acordas e pensas:

    “É isto. Descobri exactamente o que quero fazer para o resto da minha vida.”

    Talvez descubras aos poucos.

    Uma experiência de cada vez.

    Uma competência de cada vez.

    Uma conversa de cada vez.

    Uma tentativa de cada vez.

    Por isso, se neste momento não sabes o que queres fazer profissionalmente, talvez a pergunta não precise de ser:

    “Qual é a carreira certa para mim?”

    Pode ser:

    “O que posso experimentar agora para me conhecer um pouco melhor?”

    Porque não precisas de descobrir a tua vida inteira hoje.

    Precisas apenas de encontrar o próximo passo.

    E, às vezes, é enquanto caminhamos que percebemos para onde queremos ir.

  • E se o que te assusta não for falhar, mas dar certo?

    É estranho admitir que às vezes podemos ter medo de conseguir aquilo que dizemos querer.

    Estamos habituadas a falar do medo de falhar.

    “E se não der certo?”

    “E se eu não for boa o suficiente?”

    “E se as pessoas não gostarem?”

    Mas existe uma pergunta que quase nunca fazemos:

    E se der certo?

    E, sinceramente, acho que essa pergunta pode ser tão assustadora quanto a primeira.

    Eu quero isto. Mas e se realmente acontecer?

    Às vezes passamos tanto tempo a desejar alguma coisa que imaginamos que, quando finalmente acontecer, vamos simplesmente ficar felizes.

    Só que talvez não seja assim tão simples.

    Porque conseguir aquilo que queremos também pode significar ter de lidar com coisas novas: mais responsabilidade, expectativas, mais pessoas a olhar para nós, mais decisões, mais coisas para perder…

    E, de repente, aquilo que parecia ser apenas um sonho começa a parecer uma realidade que precisamos de sustentar.

    Talvez seja por isso que, às vezes, adiamos.

    Não porque não queremos, mas porque uma parte de nós está a pensar:

    “Será que estou preparada para a vida que digo querer?”

    O sucesso também pode ser desconhecido

    Existe conforto no que já conhecemos.

    Mesmo quando não gostamos completamente da nossa situação actual, sabemos como ela funciona.

    Sabemos o que esperar.

    Sabemos quais são os nossos limites.

    Sabemos quem somos dentro daquela realidade.

    Mas quando alguma coisa começa a dar certo, essa realidade pode mudar.

    Imagina quereres muito começar a criar conteúdo e, de repente, um vídeo teu chega a milhares de pessoas.

    Ou quereres abrir um negócio e começares realmente a ter clientes.

    Ou trabalhares durante meses para uma oportunidade e finalmente conseguires.

    É maravilhoso.

    Mas também pode ser assustador.

    Porque agora já não estás apenas a imaginar.

    Está a acontecer.

    E talvez tenhas de descobrir uma nova versão de ti para acompanhar aquilo que está a acontecer.

    “E se eu não conseguir manter?”

    Este é um medo que acho particularmente interessante.

    Às vezes conseguimos alguma coisa e, em vez de aproveitar, começamos imediatamente a pensar:

    “E se eu não conseguir fazer isto outra vez?”

    “E se as pessoas perceberem que foi sorte?”

    “E se esta for a única vez?”

    “E se eu não for tão boa quanto pensam?”

    Então, em vez de celebrarmos, começamos a tentar provar novamente que merecemos estar ali.

    É quase como se a conquista viesse acompanhada de uma nova obrigação:

    agora tenho de continuar a ser boa.

    Mas uma conquista não precisa transformar-se numa dívida.

    Não precisas provar todos os dias que mereces aquilo que conseguiste.

    E se as pessoas começarem a esperar mais de mim?

    Talvez também exista medo de sermos vistas.

    Enquanto estamos a tentar, podemos dizer:

    “Estou a aprender.”

    “Estou a começar.”

    “Ainda não sou muito boa.”

    Mas quando começamos a ter resultados, essas desculpas desaparecem.

    As pessoas começam a reparar.

    Começam a perguntar.

    Começam a esperar coisas de nós.

    E isso pode ser desconfortável.

    Principalmente quando ainda estamos a descobrir quem queremos ser.

    Às vezes é mais fácil esconder o nosso potencial do que lidar com a possibilidade de alguém esperar que o usemos.

    Talvez tenhas medo de deixar de ser quem és

    Esta é uma parte que acho que raramente discutimos.

    E se crescer significar mudar?

    E se conseguires aquilo que queres e a tua vida ficar diferente?

    E se começares a ganhar mais dinheiro?

    E se fores para outro país?

    E se construíres a carreira que queres?

    E se começares a ter uma audiência?

    E se deixares de ter algumas das mesmas preocupações que tens hoje?

    Mudanças boas continuam a ser mudanças.

    E qualquer mudança pode trazer uma espécie de luto pela versão anterior de nós.

    Podemos querer muito uma vida nova e, ao mesmo tempo, ter medo de deixar para trás algumas partes da vida que conhecemos.

    Isso não significa que não queremos crescer.

    Significa apenas que crescer também exige despedirmo-nos de algumas versões nossas.

    Mas não precisamos estar completamente preparadas

    Talvez este seja o ponto que mais preciso de lembrar.

    Eu não preciso de saber exactamente como vou lidar com algo que ainda nem aconteceu.

    Não preciso ter todas as respostas antes de começar.

    Não preciso saber como vou sustentar uma oportunidade antes de ela aparecer.

    Posso aprender.

    Posso pedir ajuda.

    Posso cometer erros.

    Posso adaptar-me.

    Posso descobrir pelo caminho.

    Às vezes esperamos sentir-nos preparadas para começar.

    Mas talvez a confiança venha precisamente depois de começarmos a fazer coisas que nunca fizemos antes.

    E se der certo?

    Talvez esta seja uma pergunta que vale a pena começar a fazer.

    Não apenas: “E se eu falhar?”

    Mas também: “E se eu conseguir?”

    E depois:

    O que mudaria?

    Como me sentiria?

    O que teria de aprender?

    Que responsabilidades surgiriam?

    Que versão de mim precisaria de aparecer?

    O que teria medo de perder?

    Estas perguntas não servem para criar mais ansiedade.

    Servem para perceber que, às vezes, aquilo que estamos a evitar não é a possibilidade de falhar.

    É a possibilidade de a nossa vida realmente mudar.

    Não precisas diminuir os teus sonhos para te sentires segura

    Talvez já tenhas feito isto sem perceber.

    Querer alguma coisa e depois convencer-te de que, afinal, não era tão importante.

    Pensar em começar e encontrar mil razões para esperar.

    Dizer que “não é para tanto”.

    Fingir que não te importas tanto com o resultado para que uma eventual desilusão doa menos.

    Eu entendo.

    É uma forma de nos protegermos.

    Mas também pode ser uma forma de nos mantermos pequenas.

    Não acho que devamos viver obcecadas com o sucesso.

    Mas também não acho que devamos ter vergonha de admitir que queremos coisas grandes.

    Podemos querer.

    Podemos tentar.

    Podemos ter medo.

    As três coisas podem existir ao mesmo tempo.

    Talvez o próximo passo seja simplesmente tentar

    Não precisas resolver hoje todos os medos que tens sobre o futuro.

    Talvez só precises de fazer aquela coisa que tens adiado.

    Enviar a candidatura.

    Publicar o primeiro trabalho.

    Começar o projecto.

    Inscrever-te naquele curso.

    Mostrar a alguém aquilo que criaste.

    Fazer a proposta.

    Dar o primeiro passo.

    E depois descobrir o resto.

    Porque talvez nunca exista um momento em que estejas completamente preparada para a vida que queres.

    Talvez a preparação aconteça enquanto a estás a construir.

    E, se um dia aquilo que tanto querias finalmente acontecer, espero que te permitas parar por um momento e perceber:

    “Eu tinha medo disto. E agora está a acontecer.”

    Talvez não precises ter todas as respostas.

    Talvez só precises de confiar que, quando a tua vida mudar, tu também vais aprender a mudar com ela.

  • Porque é tão difícil celebrar as nossas próprias conquistas?

    Já reparaste como é muito mais fácil reconhecer a conquista de outra pessoa do que a nossa?

    Quando uma amiga consegue um emprego, ficamos genuinamente felizes por ela. Quando alguém termina a universidade, queremos celebrar. Quando uma pessoa começa um projecto, alcança um objectivo ou consegue finalmente fazer alguma coisa que estava a tentar há meses, conseguimos olhar para aquilo e pensar:

    “Uau. Ela conseguiu mesmo.”

    Mas quando somos nós?

    Às vezes a reacção é:

    “Finalmente.”

    “Era o mínimo.”

    “Não foi nada de especial.”

    “Agora preciso de fazer isto.”

    E seguimos em frente.

    Como se não tivéssemos acabado de fazer algo que, há alguns meses, talvez nem soubéssemos se conseguiríamos fazer.

    Porque é que nunca parece suficiente?

    Acho que uma das razões pelas quais temos dificuldade em celebrar as nossas conquistas é porque nos habituámos a olhar para a vida como uma sequência de coisas que ainda precisamos alcançar.

    Terminamos uma tarefa e já pensamos na próxima.

    Conseguimos uma oportunidade e imediatamente começamos a pensar em como conseguir uma melhor.

    Alcançamos um objectivo e aumentamos a meta.

    É como se houvesse sempre uma versão futura de nós à nossa frente, a dizer:

    “Está bem, mas e agora?”

    E, sem percebermos, começamos a medir o nosso valor pelo próximo objectivo.

    O problema é que, se fizermos isso constantemente, nunca chegamos realmente a sentir que conseguimos.

    Porque sempre haverá alguma coisa depois.

    Às vezes diminuímos aquilo que conseguimos

    Também existe uma coisa curiosa que fazemos:

    mudamos a importância da conquista depois de a conseguirmos.

    Antes de acontecer, parecia enorme, pensávamos nisso todos os dias, tínhamos medo de não conseguir.

    Ficávamos ansiosas, trabalhávamos para aquilo. E quando finalmente acontece, de repente parece que não foi assim tão difícil.

    “Qualquer pessoa conseguiria.”

    “Não fiz nada de extraordinário.”

    “Só tive sorte.”

    “Demorou muito, por isso nem conta.”

    Mas o facto de algo ter acontecido não significa que tenha sido fácil. E ter conseguido não apaga tudo aquilo que aconteceu antes.

    O esforço continua a existir, as tentativas continuam a existir, os dias em que quase desististe continuam a existir.

    Talvez estejamos demasiado habituadas a pensar no que falta

    É muito fácil olhar para aquilo que ainda não somos.

    Ainda não tenho o emprego que quero.

    Ainda não ganho o suficiente.

    Ainda não tenho o corpo que gostaria.

    Ainda não alcancei aquele objectivo.

    Ainda não sei exactamente o que quero fazer.

    Ainda não estou onde imaginei que estaria.

    E quando olhamos constantemente para o que falta, aquilo que já conseguimos começa a desaparecer da nossa visão.

    Por isso, às vezes, acho que precisamos de fazer uma pausa e perguntar:

    “Espera. O que é que eu já fiz?”

    Não o que falta! Não o próximo objectivo.

    Não aquilo que outra pessoa da nossa idade já conseguiu.

    O que é que eu já fiz?

    Celebrar não significa achar que já fizeste tudo

    Talvez uma das razões pelas quais algumas pessoas têm dificuldade em celebrar seja o medo de ficarem acomodadas.

    Como se reconhecer uma conquista significasse deixar de querer crescer.

    Mas não significa.

    Posso estar orgulhosa de mim e continuar a querer melhorar, posso reconhecer que fiz um bom trabalho e ainda querer aprender, posso celebrar aquilo que alcancei sem decidir que aquilo é o máximo que consigo fazer.

    Gratidão pelo caminho não significa falta de ambição.

    Podemos querer mais sem tratar aquilo que já temos como insuficiente.

    E não precisas de esperar por uma grande conquista

    Às vezes pensamos que só podemos celebrar coisas enormes.

    Conseguir o emprego.

    Terminar a universidade.

    Comprar uma casa.

    Começar um negócio.

    Viajar para outro país.

    Mas e as pequenas coisas?

    Conseguiste finalmente começar aquele projecto.

    Foste consistente durante algumas semanas.

    Tiveste coragem para fazer uma coisa que te assustava.

    Disseste não quando normalmente terias dito sim.

    Começaste a cuidar melhor de ti.

    Terminaste alguma coisa que estavas a adiar.

    Pediste ajuda.

    Mudaste de opinião.

    Começaste de novo.

    Tudo isso também conta.

    A vida não é feita apenas das grandes fotografias que colocamos nas redes sociais.

    Existe muito crescimento a acontecer em coisas que ninguém vê.

    Aprendi que celebrar também é reconhecer quem eu era antes

    Gosto desta ideia porque uma conquista não é apenas sobre o resultado.

    É também sobre a pessoa que precisaste de ser para chegar até ali.

    Talvez tenhas aprendido alguma coisa.

    Talvez tenhas ultrapassado um medo.

    Talvez tenhas ficado mais disciplinada.

    Talvez tenhas aprendido a ter paciência.

    Talvez simplesmente tenhas continuado mesmo quando não tinhas a certeza de que iria resultar.

    Às vezes olhamos para a conquista e esquecemos de olhar para o caminho.

    E é no caminho que está grande parte da história.

    Então, como podemos começar a celebrar mais?

    Não acho que exista uma fórmula.

    Mas podemos começar por uma coisa muito simples:

    parar.

    Quando alguma coisa boa acontecer, não passes imediatamente para a próxima.

    Deixa-te sentir feliz.

    Conta a alguém de quem gostas.

    Escreve sobre isso.

    Tira uma fotografia.

    Compra aquele pequeno mimo que querias.

    Faz alguma coisa que te faça perceber:

    “Eu consegui isto.”

    E, principalmente, não sintas que precisas de justificar porque estás orgulhosa.

    Não precisas ter feito algo extraordinário aos olhos de toda a gente.

    A conquista é tua.

    Tu sabes quanto te custou chegar até ali.

    Tu já és a resposta para alguns dos desejos que um dia tiveste.

    Acho que mereces reconhecer isso.

    Não precisas esperar pela próxima grande conquista para teres orgulho de ti.

    Podes olhar para aquilo que já fizeste e simplesmente dizer:

    “Eu fiz isto. E estou orgulhosa de mim.”

    Sem diminuir.

    Sem comparar.

    Sem acrescentar um “mas”.

    Só isso.

    E talvez celebrar as nossas conquistas seja, no fundo, uma forma de aprender a reconhecer que a nossa vida também está a acontecer enquanto ainda estamos a tentar chegar a algum lugar.

  • Como organizo a semana sem planos impossíveis

    7-10 minutos

    Durante muito tempo, eu confundia organização com conseguir fazer muitas coisas.

    Quando começava uma semana nova, queria aproveitar cada minuto. Fazia uma lista enorme de tarefas, distribuía tudo pelos dias e, de alguma forma, conseguia acreditar que aquela seria a semana em que finalmente faria tudo.

    Estudar, treinar, trabalhar, ler, criar conteúdo, organizar a casa, responder às mensagens, começar aquele projecto que estava parado há semanas. dormir bem, ter tempo para mim.

    À segunda-feira, parecia tudo perfeitamente possível, na quarta-feira, já estava cansada. E no domingo, normalmente, ficava com aquela sensação desagradável de que não tinha feito o suficiente.

    O problema não era necessariamente a minha falta de organização.

    Eu estava a planear semanas para uma versão de mim que não existia.

    Hoje tento fazer diferente. Não tento descobrir como encaixar o máximo de coisas possível numa semana. Tento perceber o que realmente precisa de acontecer e quanto espaço tenho para fazer acontecer.

    O problema de planear uma semana perfeita

    Muitas de nós fazemos isto sem perceber: imaginamos uma semana em que vamos acordar cedo todos os dias, cumprir todas as tarefas, treinar, estudar, comer bem, beber água, responder a toda a gente, avançar nos nossos projectos e ainda ter energia para fazer alguma coisa divertida.

    Só que a vida real não funciona assim.

    Há dias em que acordamos sem energia, há tarefas que demoram o dobro do que imaginávamos.

    Aparecem coisas que não estavam planeadas, uma reunião demora mais tempo.

    Alguém precisa de nós, ficamos doentes ou simplesmente temos um dia mau.

    E quando o nosso planeamento não tem espaço para nada disso, basta uma coisa sair do lugar para sentirmos que a semana inteira está perdida.

    Foi aí que comecei a perceber que uma semana organizada não é uma semana completamente preenchida, mas sim, uma semana que tem espaço suficiente para a vida acontecer.

    Primeiro, vejo o que já está marcado

    Antes de começar a escrever uma lista enorme de coisas que quero fazer, olho para aquilo que já sei que vai acontecer: aulas, trabalho, compromissos, consultas, treinos, eventos, qualquer coisa que tenha uma hora ou um dia específico.

    Parece básico, mas faz muita diferença.

    Porque às vezes fazemos uma lista com dez tarefas sem sequer considerar que metade da nossa semana já está ocupada.

    Depois perguntamo-nos por que razão nunca conseguimos cumprir o planeamento.

    Por isso, antes de decidir o que quero fazer, tento perceber quanto tempo realmente tenho disponível.

    Depois, escolho as prioridades

    Esta é provavelmente a parte que mais mudou a minha forma de organizar a semana.

    Nem tudo pode ser prioridade. Se tudo é urgente, nada é realmente prioridade.

    Por isso, tento escolher algumas coisas que quero mesmo que aconteçam naquela semana.

    Não precisam de ser grandes objectivos.

    Podem ser coisas como:

    • terminar determinado trabalho;
    • estudar para uma prova;
    • publicar determinado conteúdo;
    • avançar algumas horas num projecto;
    • fazer os meus treinos;
    • resolver uma tarefa que estou a adiar há demasiado tempo.

    A pergunta que gosto de fazer é:

    “Se no final desta semana eu só conseguir fazer algumas coisas, quais vou querer ter feito?”

    Isso ajuda-me a distinguir aquilo que é realmente importante daquilo que simplesmente parece urgente porque está na minha cabeça.

    Não transformo a lista inteira em compromissos

    Existe uma diferença entre querer fazer alguma coisa e ter de fazer alguma coisa num determinado dia.

    Nem tudo precisa de entrar na agenda.

    Se eu tenho cinco pequenas tarefas que gostaria de fazer durante a semana, não preciso necessariamente de decidir:

    Segunda-feira, 14h17: fazer tarefa 1.

    Ter uma estrutura demasiado rígida pode funcionar durante dois dias e depois tornar-se impossível de manter.

    Prefiro definir as minhas prioridades e distribuir algumas tarefas pelos dias, deixando espaço para adaptar o plano.

    Porque organização também é conseguir mudar o plano quando necessário.

    Divido as tarefas grandes

    Uma das razões pelas quais adiamos determinadas coisas é porque elas parecem maiores do que realmente são.

    “Trabalhar no projecto” não diz exactamente o que preciso de fazer.

    É uma tarefa enorme e vaga.

    Em vez disso, posso dividir:

    • pesquisar referências;
    • organizar as ideias;
    • escrever o primeiro rascunho;
    • rever;
    • finalizar.

    De repente, já não preciso de “fazer o projecto”, preciso apenas de começar pela primeira parte.

    Isto também torna mais fácil perceber quanto tempo uma tarefa pode realmente ocupar.

    Não encho todos os espaços vazios

    Esta foi difícil para mim.

    Quando via duas horas livres na agenda, a minha primeira reacção era pensar:

    “O que posso colocar aqui?”

    Hoje tento pensar:

    “Será que preciso mesmo de colocar alguma coisa aqui?”

    Tempo livre não é tempo desperdiçado.

    Às vezes essas duas horas vão servir para descansar, ou para fazer alguma coisa que não estava planeada, ou simplesmente para não estar a correr de uma tarefa para outra durante o dia inteiro.

    Se organizarmos a semana como se cada minuto tivesse de ser aproveitado, qualquer imprevisto vai parecer um problema.

    Se deixarmos algum espaço, o imprevisto passa a ser apenas… parte da semana.

    Também considero a minha energia

    Uma coisa que demorei a perceber é que tempo e energia não são a mesma coisa.

    Posso ter três horas livres e não ter energia mental para fazer uma tarefa que exige concentração.

    Posso ter apenas uma hora e conseguir fazer bastante porque estou focada.

    Por isso, quando planeio a semana, tento prestar atenção ao tipo de tarefa e não apenas ao tempo disponível.

    Tarefas que exigem mais concentração ficam, sempre que possível, para os momentos em que sei que funciono melhor.

    As tarefas mais simples podem ficar para momentos em que estou com menos energia.

    Não é sobre criar o horário perfeito.

    É sobre conhecer um pouco melhor a pessoa que vai ter de cumprir aquele horário.

    Deixo espaço para os dias maus

    Esta talvez seja a parte mais importante.

    Porque nós planeamos como se fossemos estar sempre bem.

    Só que não estamos.

    Há dias em que simplesmente não conseguimos produzir como gostaríamos.

    E acho que precisamos de parar de tratar isso como uma falha moral.

    Se tive um dia péssimo, talvez não consiga cumprir tudo o que estava planeado.

    Tudo bem.

    Posso reorganizar, posso adiar uma tarefa, posso diminuir o que tinha planeado, posso fazer apenas o essencial.

    Uma semana não fica arruinada porque uma terça-feira correu mal.

    Não preciso de recomeçar a minha vida todas as segundas-feiras.

    Faço uma pequena revisão a meio da semana

    Outra coisa que comecei a fazer é olhar novamente para o meu planeamento durante a semana, porque o que parecia realista no domingo pode deixar de fazer sentido na quarta-feira.

    Talvez tenha surgido uma tarefa nova.

    Talvez uma coisa tenha demorado mais do que esperava.

    Talvez eu tenha percebido que uma das minhas prioridades já não é assim tão importante.

    Então ajusto.

    Não vejo o planeamento como algo que escrevi e que agora tenho de obedecer.

    Vejo-o como uma ferramenta.

    Se a ferramenta deixou de servir, eu posso mexer nela.

    O meu planeamento semanal não precisa de ser bonito

    Confesso que gosto de coisas bonitas e organizadas.

    Mas aprendi que um planeamento pode ser extremamente bonito e completamente inútil.

    Não preciso de uma página cheia de cores, trackers e vinte categorias diferentes se no final não consigo perceber o que tenho realmente de fazer.

    Às vezes uma folha com:

    Esta semana

    • 3 prioridades
    • compromissos
    • tarefas
    • coisas que quero fazer
    • espaço para notas

    é suficiente.

    A melhor ferramenta de organização é aquela que realmente consigo usar.

    Não aquela que parece perfeita no Pinterest.

    No final, quero sentir que vivi a semana

    Esta é talvez a mudança mais importante.

    Hoje, quando penso em organizar a minha semana, não penso apenas em tudo aquilo que quero conseguir.

    Também penso em como quero sentir-me durante a semana.

    Quero ter tempo para descansar.

    Quero conseguir estar presente nas coisas que estou a fazer.

    Quero trabalhar nos meus objectivos sem sentir que estou constantemente atrasada.

    Quero poder fazer alguma coisa espontaneamente.

    Quero ter espaço para simplesmente existir.

    Porque se o meu planeamento me permite cumprir vinte tarefas, mas me deixa exausta e frustrada, será que foi realmente uma semana bem organizada?

    Não sei.

    Para mim, organização começou a significar outra coisa.

    Não é fazer tudo.

    É decidir conscientemente onde quero colocar o meu tempo e a minha energia.

    Um modelo simples para organizares a tua semana

    Se quiseres experimentar esta forma de planeamento, podes começar com cinco perguntas:

    1. O que já tenho marcado?

    Coloca compromissos, aulas, trabalho, consultas e tudo aquilo que tem uma hora ou data definida.

    2. Quais são as minhas três prioridades?

    Escolhe poucas.

    Se terminares essas três coisas, a semana já terá valido a pena.

    3. Que outras tarefas gostaria de fazer?

    Aqui entram as coisas importantes, mas que não precisam necessariamente de acontecer.

    4. Onde tenho espaço?

    Não tentes preencher todos os espaços vazios.

    Deixa margem.

    5. O que preciso de ajustar?

    No meio da semana, olha novamente para o plano.

    Pergunta-te:

    Ainda faz sentido?

    Se não fizer, muda.

    Não precisas de cumprir um plano só porque foste tu que o escreveste.

    Uma semana organizada não precisa de ser uma semana perfeita

    Ainda tenho semanas em que faço planos demasiado ambiciosos.

    Ainda há dias em que procrastino.

    Ainda há tarefas que ficam para a semana seguinte.

    A diferença é que já não interpreto automaticamente isso como falta de disciplina.

    Estou a aprender a organizar a minha vida de uma forma que tenha espaço para a vida real.

    Porque talvez organização não seja descobrir como fazer mais.

    Talvez seja descobrir o que merece realmente o nosso tempo.

    E, para mim, uma boa semana não é aquela em que consigo riscar tudo da lista.

    É aquela em que, no meio de todas as coisas que precisava de fazer, ainda consigo reconhecer que aquela semana também foi minha.

  • Como construir uma rotina que funciona para mim

    4-6 minutos

    Durante muito tempo, achei que o problema era não conseguir manter uma rotina.

    Eu começava cheia de motivação. Organizava os meus dias, fazia listas, definia horários e imaginava que, a partir de segunda-feira, finalmente ia conseguir fazer tudo aquilo que queria.

    Só que a rotina durava pouco.

    E então eu começava a pensar que talvez me faltasse disciplina.

    Hoje vejo as coisas de outra forma.

    Talvez o problema não fosse eu.

    Talvez fosse a rotina que eu estava a tentar seguir.

    Eu achava que precisava de uma rotina perfeita

    É muito fácil encontrar a rotina perfeita na internet.

    Acordar cedo. Treinar. Meditar. Ler. Estudar. Trabalhar. Beber dois litros de água. Fazer skincare. Aprender uma língua. Dormir oito horas.

    Tudo parece possível quando vemos cada hábito isoladamente.

    O problema é tentar colocar todos eles no mesmo dia.

    Durante algum tempo, eu criava rotinas como se tivesse energia ilimitada, nenhum imprevisto e várias horas livres.

    Depois chegava um dia normal.

    Eu dormia um pouco mais.

    Uma tarefa demorava mais do que esperava.

    Ficava cansada.

    E toda aquela rotina começava a desmoronar.

    Foi aí que percebi uma coisa:

    uma rotina só é boa se funcionar para a pessoa que realmente a vai viver.

    Não para a versão idealizada de mim.

    Parei de copiar a rotina de outras pessoas

    Uma rotina pode funcionar perfeitamente para alguém e ser completamente errada para mim.

    Talvez aquela pessoa acorde às 5h e adore começar o dia cedo.

    Eu posso precisar de mais tempo para acordar.

    Talvez alguém consiga treinar todos os dias.

    Eu posso preferir treinar três vezes por semana.

    Talvez outra pessoa consiga estudar à noite.

    Eu posso ter mais concentração de manhã.

    Isso não significa que uma de nós seja mais disciplinada.

    Significa apenas que temos vidas, horários, responsabilidades e níveis de energia diferentes.

    Por isso, em vez de perguntar “qual é a melhor rotina?”, comecei a perguntar:

    “Que rotina faz sentido para a minha vida?”

    Antes de criar uma rotina, olha para a tua vida

    Parece óbvio, mas é uma etapa que muitas vezes ignoramos.

    Antes de decidir o que quero fazer todos os dias, preciso perceber como os meus dias são actualmente.

    Tenho aulas ou trabalho?

    Quanto tempo passo em deslocações?

    Em que momentos tenho mais energia?

    Quando costumo ficar cansada?

    Quanto tempo realmente tenho disponível?

    O que já faço naturalmente?

    E o que quero mudar?

    Uma rotina não deve começar com dez hábitos novos.

    Deve começar com a realidade que já existe.

    Depois podemos construir a partir daí.

    Começa pelo essencial

    Quando tento mudar demasiadas coisas ao mesmo tempo, é muito fácil desistir.

    Por isso, gosto de pensar primeiro nas coisas que considero essenciais para me sentir bem e conseguir funcionar.

    Dormir o suficiente.

    Comer bem.

    Mexer o corpo.

    Cumprir as minhas responsabilidades.

    Ter algum tempo para mim.

    A partir daí, posso acrescentar outras coisas.

    Ler.

    Estudar uma língua.

    Escrever.

    Trabalhar num projecto pessoal.

    Criar conteúdo.

    Mas essas coisas precisam de encontrar espaço na minha vida, e não o contrário.

    Não quero que a minha rotina seja uma lista de obrigações.

    Quero que ela me ajude a viver melhor.

    Não tentes mudar tudo de uma vez

    Existe uma vontade enorme de começar uma nova rotina e mudar a vida inteira numa segunda-feira.

    É quase irresistível.

    “Agora vou acordar cedo, treinar todos os dias, comer melhor, estudar duas horas, ler, deixar o telemóvel e ser super organizada.”

    Parece motivador.

    Mas é difícil sustentar.

    Se queres criar uma rotina que consigas manter, talvez seja melhor começar com uma ou duas mudanças.

    Por exemplo, começar a dormir e acordar aproximadamente à mesma hora.

    Ou reservar três dias da semana para treinar.

    Ou dedicar vinte minutos por dia a uma coisa que é importante para ti.

    Quando isso começa a fazer parte da tua vida, podes acrescentar outra coisa.

    Consistência não precisa de começar com intensidade.

    Deixa espaço para os dias que não correm bem

    Uma rotina realista precisa de conseguir sobreviver a um dia mau.

    Porque eles vão existir.

    Vai haver dias em que não vais cumprir o treino.

    Dias em que vais dormir mais tarde.

    Dias em que não vais conseguir estudar.

    Dias em que simplesmente não tens cabeça para fazer tudo.

    Isso não significa que a rotina deixou de funcionar.

    Significa que és humana.

    Uma rotina rígida pode fazer-nos pensar:

    “Falhei hoje, então já estraguei tudo.”

    Uma rotina flexível permite pensar:

    “Hoje não correu como queria. Amanhã continuo.”

    E acho que esta segunda mentalidade é muito mais sustentável.

    Como saber se a tua rotina está a funcionar?

    Não é apenas olhando para quantas tarefas conseguiste riscar.

    Pergunta-te:

    Estou a conseguir manter esta rotina sem me sentir constantemente exausta?

    Tenho tempo para as coisas que são importantes para mim?

    A rotina ajuda-me ou está a controlar-me?

    Consigo adaptar-me quando alguma coisa muda?

    Estou a construir hábitos que realmente quero manter?

    Se a resposta for constantemente “não”, talvez não precises de mais disciplina.

    Talvez precises de uma rotina diferente.

    A minha rotina também pode mudar

    Outra coisa que estou a aprender é que não preciso encontrar uma rotina perfeita e mantê-la para sempre.

    A minha vida vai mudar.

    Os meus horários vão mudar.

    As minhas prioridades vão mudar.

    Eu vou mudar.

    Então é natural que a minha rotina também mude.

    O que funciona para mim agora pode não funcionar daqui a um ano.

    E isso não significa que voltei ao início.

    Significa apenas que estou a adaptar a rotina à pessoa que sou naquele momento.

    Não preciso de uma rotina perfeita

    Hoje, quando penso em rotina, já não penso tanto em controlar o meu dia inteiro.

    Penso em criar alguma estrutura que me ajude a fazer aquilo que é importante sem transformar a minha vida numa lista interminável de tarefas.

    Porque uma rotina não deveria obrigar-te a caber num horário.

    O horário é que deveria ser construído à volta da vida que tens.

    E talvez a melhor rotina não seja aquela que parece mais impressionante.

    Se calhar é simplesmente aquela que, mesmo num dia normal e imperfeito, consegues continuar a viver.

  • O que fazer aos 20 anos: 15 coisas que gostava de ter percebido antes

    Aos 20, existe uma pergunta que aparece de várias formas:

    “O que é que eu devia estar a fazer com a minha vida?”

    Talvez estejas na universidade, talvez já estejas a trabalhar, talvez estejas a tentar descobrir o que queres estudar, talvez tenhas começado um projecto, talvez não tenhas a mínima ideia do que estás a fazer.

    E talvez estejas a olhar para outras pessoas da tua idade e a pensar que deverias estar mais à frente.

    Eu já me senti assim.

    Mas quanto mais penso sobre os meus 20 anos, mais percebo que talvez esta fase não seja tanto sobre ter a vida resolvida, mas sobre aprender algumas coisas que ninguém nos explica.

    Por isso, se pudesse sentar-me com a minha versão mais nova durante uma tarde, estas são as 15 coisas que gostava de lhe dizer.

    1. Não precisas saber exactamente o que queres fazer da vida

    Esta provavelmente seria a primeira coisa que diria.

    A pergunta “o que queres fazer da vida?” parece exigir uma resposta definitiva.

    Mas tu podes não ter uma.

    E isso não significa que estejas perdida.

    Aos 20, ainda estás a descobrir do que gostas, aquilo em que és boa, o que valorizas e, principalmente, aquilo que já não queres.

    Não precisas escolher uma profissão e assumir que vais gostar dela para sempre.

    Podes começar por descobrir qual é o próximo caminho que queres experimentar.

    2. Experimenta coisas antes de decidires que não são para ti

    Às vezes passamos demasiado tempo a pensar sobre aquilo que queremos fazer sem nunca experimentar.

    “Será que eu gostaria?”

    “Será que sou boa o suficiente?”

    “E se não resultar?”

    É difícil responder a essas perguntas sem tentar.

    Faz o curso.

    Participa naquele projecto.

    Aprende aquela competência.

    Publica aquele primeiro vídeo.

    Vai àquele evento.

    Tenta.

    Algumas coisas vão funcionar. Outras não.

    Mas até aquilo que não resulta te dá informação sobre ti.

    3. Aprende a estar sozinha

    Estar sozinha e sentir-se sozinha são coisas diferentes.

    Aprender a passar tempo contigo mesma pode ser estranho no início, principalmente se estás habituada a estar sempre rodeada de pessoas ou distraída pelo telemóvel.

    Mas existe qualquer coisa de especial em conseguir sair para tomar um café sozinha, ir ao cinema, caminhar, viajar ou simplesmente passar uma tarde contigo sem sentires que precisas de alguém para tornar aquele momento válido.

    Começas a perceber que a tua própria companhia também pode ser uma companhia de que gostas.

    4. Descobre o que não queres

    Existe muita pressão para descobrirmos aquilo que queremos.

    Mas quase ninguém fala sobre a importância de descobrir aquilo que não queremos.

    Talvez experimentes uma área profissional e percebas que não é para ti.

    Talvez descubras que determinado ambiente de trabalho te faz mal.

    Talvez percebas que não queres viver de determinada maneira.

    Tudo isso conta.

    Não precisas de sair de cada experiência com uma resposta.

    Às vezes, sais apenas com um:

    “Ok, isto definitivamente não é para mim.”

    E isso já é alguma coisa.

    5. Aprende a gerir o teu dinheiro

    Não precisas ser rica aos 20 para começar a aprender sobre dinheiro.

    Na verdade, quanto mais cedo começares, melhor.

    Aprende quanto entra, quanto sai e para onde o teu dinheiro está a ir.

    Aprende a poupar.

    Aprende a distinguir uma coisa que queres de uma coisa que realmente precisas.

    Aprende sobre juros, dívida, investimentos e impostos.

    Não precisas tornar-te especialista.

    Mas perceber minimamente como o dinheiro funciona pode dar-te uma liberdade que vai muito além de comprar coisas.

    6. Cuida das amizades que te fazem bem

    Nem todas as amizades precisam de durar para sempre.

    E isto pode ser difícil de aceitar.

    Algumas pessoas vão fazer parte de uma fase específica da tua vida.

    Outras vão ficar.

    O importante é aprenderes a reconhecer a diferença entre uma amizade que te desafia a crescer e uma relação que te faz constantemente questionar o teu próprio valor.

    Escolhe pessoas com quem possas ser tu.

    Pessoas que ficam felizes pelas tuas conquistas.

    Pessoas com quem podes falar de coisas sérias e também rir de coisas completamente estúpidas.

    E lembra-te de que amizade também exige iniciativa.

    Às vezes, manda a mensagem.

    Faz o convite.

    Pergunta como a pessoa está.

    As relações que queremos manter também precisam de espaço na nossa agenda.

    7. Aprende a dizer não sem escrever uma dissertação

    Durante muito tempo, achei que precisava de uma boa explicação para cada “não”.

    Como se a minha decisão só fosse válida se a outra pessoa concordasse com ela.

    Mas não precisas justificar cada limite até a outra pessoa ficar satisfeita.

    Podes não querer.

    Podes não conseguir.

    Podes simplesmente não estar disponível.

    E isso não faz de ti uma pessoa egoísta.

    Aprender a dizer não também é aprender a respeitar o teu próprio tempo, energia e limites.

    8. Cuida do teu corpo antes de ele te obrigar a prestar atenção

    Não estou a falar de perseguir um corpo perfeito.

    Estou a falar de coisas muito menos interessantes e muito mais importantes:

    Dormir.

    Comer decentemente.

    Mexer o corpo.

    Beber água.

    Descansar.

    Ir ao médico quando é necessário.

    Não passar meses a ignorar sinais porque tens coisas “mais importantes” para fazer.

    O teu corpo vai acompanhar-te em tudo o que queres construir.

    Vale a pena tratá-lo como parte da tua vida, e não como um projecto separado dela.

    9. Aprende alguma coisa que não tenha utilidade imediata

    Nem tudo precisa de servir para o currículo.

    Aprende uma língua porque gostas.

    Pinta.

    Toca um instrumento.

    Lê sobre um assunto que não tem nada a ver com o teu curso.

    Aprende a cozinhar.

    Faz fotografia.

    Escreve.

    Estuda astronomia só porque achas fascinante.

    Existe uma tendência para transformarmos cada actividade numa oportunidade de produtividade.

    Mas algumas coisas podem simplesmente dar-te vida.

    E isso também é útil.

    10. Não transformes os teus hobbies em negócios imediatamente

    Esta merece um lugar próprio.

    Vivemos numa época em que parece que tudo precisa de ser monetizado.

    Gostas de pintar?

    “Abre uma loja.”

    Gostas de escrever?

    “Cria um ebook.”

    Gostas de cozinhar?

    “Começa um negócio.”

    Gostas de fazer vídeos?

    “Constrói uma marca pessoal.”

    E talvez algumas dessas coisas realmente se transformem em trabalho.

    Mas não precisam.

    Podes ter alguma coisa que fazes simplesmente porque gostas.

    Nem tudo aquilo que amas precisa de pagar as tuas contas.

    Algumas coisas existem apenas porque tornam a vida mais bonita.

    11. Aprende a lidar com o desconforto de começar

    Quase tudo parece ridículo quando estamos a começar.

    O primeiro vídeo.

    O primeiro desenho.

    O primeiro treino.

    A primeira apresentação.

    O primeiro projecto.

    O primeiro texto.

    Queremos esperar até sermos suficientemente boas para começar.

    Só que ninguém fica boa sem começar.

    O início vai ser estranho.

    Provavelmente vais olhar para trás e perceber que eras muito pior do que és agora.

    Ainda bem.

    Isso significa que melhoraste.

    12. Não tenhas medo de mudar de opinião

    A tua opinião aos 20 não precisa de ser a tua opinião aos 30.

    E não precisas defender uma versão antiga de ti só porque outras pessoas se habituaram a ela.

    Podes mudar de curso.

    Mudar de carreira.

    Mudar de cidade.

    Mudar os teus objectivos.

    Mudar de opinião sobre aquilo que queres.

    Crescer também significa perceber que algumas coisas que faziam sentido para nós numa determinada fase já não fazem.

    Não precisas continuar numa direcção só porque já investiste muito tempo nela.

    13. Faz coisas que vais lembrar

    Nem tudo precisa de ser sobre construir o futuro.

    Vai à praia.

    Aceita aquele convite.

    Faz uma viagem, mesmo que seja curta.

    Vai a um concerto.

    Experimenta um restaurante novo.

    Faz um passeio sem destino.

    Passa uma tarde a conversar com alguém até perderes a noção das horas.

    Tira fotografias.

    Ri muito.

    Os teus 20 anos também estão a acontecer agora.

    É fácil ficarmos tão concentradas na pessoa que queremos ser que esquecemos de viver enquanto estamos a tornar-nos nela.

    14. Começa a conhecer-te de verdade

    Esta talvez seja a mais importante de todas.

    Descobre o que te irrita.

    O que te entusiasma.

    O que te assusta.

    O que te faz sentir segura.

    Aquilo que não estás disposta a negociar.

    As coisas que fazes apenas para agradar aos outros.

    Os ambientes onde te sentes tu mesma.

    Os teus padrões.

    Os teus limites.

    Os teus sonhos.

    E também as tuas contradições.

    Não precisas criar uma versão perfeita de ti.

    Precisas conhecer a pessoa que realmente és.

    Porque é muito difícil construir uma vida que combina contigo quando ainda estás a viver segundo aquilo que achas que deverias querer.

    15. Não tenhas tanta pressa

    Esta é provavelmente a coisa que mais gostava de ter percebido antes.

    Há uma urgência estranha associada aos 20 anos.

    Como se tivéssemos de aproveitar cada segundo.

    Ter sucesso cedo.

    Encontrar a carreira certa.

    Ganhar dinheiro.

    Viajar.

    Construir um corpo perfeito.

    Ter relacionamentos incríveis.

    Descobrir o propósito.

    E, de alguma forma, fazer tudo isto antes dos 25.

    Mas não existe um prémio por chegar primeiro.

    A tua vida não é uma corrida.

    E não precisas transformar cada ano numa prova de produtividade.

    Podes ir devagar.

    Podes parar.

    Podes recomeçar.

    Podes não saber.

    Podes mudar.

    Podes experimentar.

    Podes simplesmente viver.

    Então, o que fazer aos 20 anos?

    Se me perguntasses agora, eu diria:

    Conhece-te. Experimenta. Aprende. Cuida de ti. Faz amigos. Poupa algum dinheiro. Desenvolve competências. Viaja quando puderes. Cria coisas. Faz coisas só porque gostas. Diz não quando precisares. Permite-te mudar de opinião. E não tenhas tanta pressa.

    Não porque exista uma lista certa de coisas que todas as pessoas precisam de fazer aos 20.

    Mas porque esta é uma fase em que temos uma oportunidade enorme de experimentar diferentes versões da nossa vida.

    E algumas vão funcionar, e outras não.

    Tudo bem.

    O objectivo não é chegar aos 30 e conseguir dizer que fizeste tudo.

    É chegar lá conhecendo-te um pouco melhor do que te conhecias aos 20.

    E talvez perceber que não precisavas de ter aproveitado os teus 20 anos da maneira “certa”.

    Precisavas apenas de os viver de uma forma que fizesse sentido para ti.


    E se uma das coisas que mais te preocupa aos 20 é ainda não saberes exactamente para onde estás a ir, talvez gostes de ler também: Não precisas ter a vida toda planeada aos 20.

  • Não precisas ter a vida planeada aos 20

    Não precisas ter a vida planeada aos 20

    4-6 minutos

    Se tens 20 anos e sentes que já devias saber exactamente o que estás a fazer da vida, este texto é para ti.

    Tenho 20 anos.

    E durante algum tempo achei que isso significava que já devia ter algumas respostas.

    Que já devia saber o que queria estudar, onde queria viver, que carreira queria seguir, quanto dinheiro queria ganhar, que tipo de pessoa queria ser e, de preferência, onde estaria daqui a cinco anos.

    O problema é que quanto mais tentava encontrar essas respostas, mais perdida me sentia.

    Porque a verdade é que não sei exactamente como vai ser a minha vida daqui a cinco anos.

    E estou a começar a perceber que talvez isso não seja um problema.

    Aos 20, parece que toda a gente sabe o que está a fazer

    Existe uma espécie de cronograma invisível para a vida adulta.

    Aos 18, escolhes um curso.

    Aos 20, já deverias estar encaminhada.

    Aos 22, terminas a universidade.

    Depois arranjas um bom emprego, começas a ganhar dinheiro, sais de casa, viajas, constróis uma carreira e, algures no meio disto tudo, descobres quem és.

    Pelo menos é assim que parece quando olhamos para as pessoas à nossa volta.

    Uma pessoa conseguiu um estágio.

    Outra está a terminar a universidade.

    Outra já começou um negócio.

    Outra mudou-se para outro país.

    Outra parece saber exactamente o que quer fazer da vida.

    E, sem percebermos, começamos a comparar o nosso bastidor com o palco dos outros.

    “Será que estou atrasada?”

    “Será que devia estar a fazer mais?”

    “E se eu estiver a desperdiçar os meus 20?”

    “E se toda a gente estiver a avançar e eu estiver parada?”

    Talvez já tenhas feito estas perguntas.

    Eu já.

    E se eu não souber o que quero?

    Uma das coisas que mais me incomodava era não conseguir responder rapidamente à pergunta:

    “O que queres fazer da tua vida?”

    Parece uma pergunta simples.

    Mas não é.

    Porque às vezes sabemos o que queremos fazer agora, mas não sabemos se vamos querer fazer a mesma coisa daqui a três anos.

    E isso é normal.

    Aos 20, ainda estamos a conhecer partes de nós que nunca tivemos oportunidade de conhecer antes.

    Estamos a experimentar responsabilidades novas, ambientes novos, pessoas novas e, muitas vezes, versões novas de nós mesmas.

    Como é que eu poderia ter um mapa completo de uma vida que ainda estou a descobrir?

    Talvez eu não precise de saber exactamente onde vou chegar.

    Talvez precise apenas de saber qual é o próximo passo que faz sentido para mim.

    A pressão de ter a vida resolvida

    Acho que uma das maiores armadilhas dos 20 anos é acreditar que precisamos de transformar a nossa vida numa decisão definitiva.

    Escolhemos um curso e pensamos:

    “É isto que vou fazer.”

    Arranjamos um emprego:

    “É isto que vou fazer para sempre.”

    Começamos um projecto:

    “Agora tenho de conseguir.”

    Mas e se mudarmos de ideias?

    E se descobrirmos que não gostamos assim tanto?

    E se aquilo que queríamos aos 20 deixar de fazer sentido aos 23?

    Não significa que falhámos.

    Significa que aprendemos alguma coisa.

    Comparar o teu caminho com o dos outros

    Uma coisa que tenho tentado lembrar-me é que idade não significa experiência igual.

    Duas pessoas podem ter a mesma idade e estar em momentos completamente diferentes.

    Uma pode ter começado a trabalhar aos 16.

    Outra pode estar a entrar na universidade.

    Uma pode ter viajado por vários países.

    Outra pode nunca ter saído da sua cidade.

    Uma pode já saber exactamente o que quer.

    Outra pode estar a experimentar pela primeira vez.

    Nenhuma dessas pessoas está necessariamente “mais avançada”.

    Elas apenas têm histórias diferentes.

    E quando comparamos o nosso caminho com o de outra pessoa, normalmente estamos a ignorar todas as coisas que aconteceram antes de ela chegar onde está.

    Confundir indecisão com fracasso

    Não saber ainda não significa não conseguir.

    Às vezes significa simplesmente que ainda não tivemos experiências suficientes para descobrir.

    É difícil saber se gostamos de alguma coisa sem experimentar.

    É difícil saber que profissão queremos sem conhecer diferentes possibilidades.

    É difícil saber quem somos sem passar por situações que nos desafiem.

    Por isso, talvez uma parte dos nossos 20 anos seja precisamente esta:

    experimentar o suficiente para começar a perceber.

    Não estás atrasada

    Talvez esta seja a parte que eu própria mais preciso de lembrar.

    Não estás atrasada só porque alguém da tua idade está onde tu ainda não estás.

    Não estás atrasada porque ainda não sabes exactamente o que queres.

    Não estás atrasada porque mudaste de ideia.

    Não estás atrasada porque o teu caminho está a ser diferente do que imaginaste.

    E não precisas transformar os teus 20 anos numa corrida para provar que estás a aproveitar a vida.

    Há coisas que levam tempo.

    Conhecer-te leva tempo.

    Construir uma carreira leva tempo.

    Aprender a relacionar-te contigo mesma leva tempo.

    Descobrir aquilo que realmente queres leva tempo.

    Talvez não precises de um plano para os próximos dez anos

    Talvez precises de um plano para os próximos meses.

    Talvez precises de escolher uma coisa para experimentar.

    Uma competência para aprender.

    Uma conversa que precisas ter contigo mesma.

    Um hábito que queres construir.

    Um lugar que queres conhecer.

    Um projecto que queres começar.

    Uma coisa que tens medo de tentar.

    Não precisas saber exactamente onde tudo isso vai dar.

    Podes começar e descobrir pelo caminho.

    Porque talvez crescer não seja chegar aos 20 com a vida toda planeada.

    Talvez seja começar a construir uma vida que realmente faça sentido para ti — mesmo que ainda não saibas exactamente como ela vai ficar.

    E, por enquanto, acho que isso é suficiente.

    Não precisas ter a vida planeada aos 20.

    Precisas de te dar espaço para descobrir quem és.