Categoria: Autoestima & Relações

Aprende a construir uma relação mais saudável contigo e com as pessoas à tua volta. Conversas sobre autoestima, confiança, comparação, limites, amizades, relações e a difícil tarefa de aprender a não viver em função da aprovação dos outros.

  • E se o que te assusta não for falhar, mas dar certo?

    É estranho admitir que às vezes podemos ter medo de conseguir aquilo que dizemos querer.

    Estamos habituadas a falar do medo de falhar.

    “E se não der certo?”

    “E se eu não for boa o suficiente?”

    “E se as pessoas não gostarem?”

    Mas existe uma pergunta que quase nunca fazemos:

    E se der certo?

    E, sinceramente, acho que essa pergunta pode ser tão assustadora quanto a primeira.

    Eu quero isto. Mas e se realmente acontecer?

    Às vezes passamos tanto tempo a desejar alguma coisa que imaginamos que, quando finalmente acontecer, vamos simplesmente ficar felizes.

    Só que talvez não seja assim tão simples.

    Porque conseguir aquilo que queremos também pode significar ter de lidar com coisas novas: mais responsabilidade, expectativas, mais pessoas a olhar para nós, mais decisões, mais coisas para perder…

    E, de repente, aquilo que parecia ser apenas um sonho começa a parecer uma realidade que precisamos de sustentar.

    Talvez seja por isso que, às vezes, adiamos.

    Não porque não queremos, mas porque uma parte de nós está a pensar:

    “Será que estou preparada para a vida que digo querer?”

    O sucesso também pode ser desconhecido

    Existe conforto no que já conhecemos.

    Mesmo quando não gostamos completamente da nossa situação actual, sabemos como ela funciona.

    Sabemos o que esperar.

    Sabemos quais são os nossos limites.

    Sabemos quem somos dentro daquela realidade.

    Mas quando alguma coisa começa a dar certo, essa realidade pode mudar.

    Imagina quereres muito começar a criar conteúdo e, de repente, um vídeo teu chega a milhares de pessoas.

    Ou quereres abrir um negócio e começares realmente a ter clientes.

    Ou trabalhares durante meses para uma oportunidade e finalmente conseguires.

    É maravilhoso.

    Mas também pode ser assustador.

    Porque agora já não estás apenas a imaginar.

    Está a acontecer.

    E talvez tenhas de descobrir uma nova versão de ti para acompanhar aquilo que está a acontecer.

    “E se eu não conseguir manter?”

    Este é um medo que acho particularmente interessante.

    Às vezes conseguimos alguma coisa e, em vez de aproveitar, começamos imediatamente a pensar:

    “E se eu não conseguir fazer isto outra vez?”

    “E se as pessoas perceberem que foi sorte?”

    “E se esta for a única vez?”

    “E se eu não for tão boa quanto pensam?”

    Então, em vez de celebrarmos, começamos a tentar provar novamente que merecemos estar ali.

    É quase como se a conquista viesse acompanhada de uma nova obrigação:

    agora tenho de continuar a ser boa.

    Mas uma conquista não precisa transformar-se numa dívida.

    Não precisas provar todos os dias que mereces aquilo que conseguiste.

    E se as pessoas começarem a esperar mais de mim?

    Talvez também exista medo de sermos vistas.

    Enquanto estamos a tentar, podemos dizer:

    “Estou a aprender.”

    “Estou a começar.”

    “Ainda não sou muito boa.”

    Mas quando começamos a ter resultados, essas desculpas desaparecem.

    As pessoas começam a reparar.

    Começam a perguntar.

    Começam a esperar coisas de nós.

    E isso pode ser desconfortável.

    Principalmente quando ainda estamos a descobrir quem queremos ser.

    Às vezes é mais fácil esconder o nosso potencial do que lidar com a possibilidade de alguém esperar que o usemos.

    Talvez tenhas medo de deixar de ser quem és

    Esta é uma parte que acho que raramente discutimos.

    E se crescer significar mudar?

    E se conseguires aquilo que queres e a tua vida ficar diferente?

    E se começares a ganhar mais dinheiro?

    E se fores para outro país?

    E se construíres a carreira que queres?

    E se começares a ter uma audiência?

    E se deixares de ter algumas das mesmas preocupações que tens hoje?

    Mudanças boas continuam a ser mudanças.

    E qualquer mudança pode trazer uma espécie de luto pela versão anterior de nós.

    Podemos querer muito uma vida nova e, ao mesmo tempo, ter medo de deixar para trás algumas partes da vida que conhecemos.

    Isso não significa que não queremos crescer.

    Significa apenas que crescer também exige despedirmo-nos de algumas versões nossas.

    Mas não precisamos estar completamente preparadas

    Talvez este seja o ponto que mais preciso de lembrar.

    Eu não preciso de saber exactamente como vou lidar com algo que ainda nem aconteceu.

    Não preciso ter todas as respostas antes de começar.

    Não preciso saber como vou sustentar uma oportunidade antes de ela aparecer.

    Posso aprender.

    Posso pedir ajuda.

    Posso cometer erros.

    Posso adaptar-me.

    Posso descobrir pelo caminho.

    Às vezes esperamos sentir-nos preparadas para começar.

    Mas talvez a confiança venha precisamente depois de começarmos a fazer coisas que nunca fizemos antes.

    E se der certo?

    Talvez esta seja uma pergunta que vale a pena começar a fazer.

    Não apenas: “E se eu falhar?”

    Mas também: “E se eu conseguir?”

    E depois:

    O que mudaria?

    Como me sentiria?

    O que teria de aprender?

    Que responsabilidades surgiriam?

    Que versão de mim precisaria de aparecer?

    O que teria medo de perder?

    Estas perguntas não servem para criar mais ansiedade.

    Servem para perceber que, às vezes, aquilo que estamos a evitar não é a possibilidade de falhar.

    É a possibilidade de a nossa vida realmente mudar.

    Não precisas diminuir os teus sonhos para te sentires segura

    Talvez já tenhas feito isto sem perceber.

    Querer alguma coisa e depois convencer-te de que, afinal, não era tão importante.

    Pensar em começar e encontrar mil razões para esperar.

    Dizer que “não é para tanto”.

    Fingir que não te importas tanto com o resultado para que uma eventual desilusão doa menos.

    Eu entendo.

    É uma forma de nos protegermos.

    Mas também pode ser uma forma de nos mantermos pequenas.

    Não acho que devamos viver obcecadas com o sucesso.

    Mas também não acho que devamos ter vergonha de admitir que queremos coisas grandes.

    Podemos querer.

    Podemos tentar.

    Podemos ter medo.

    As três coisas podem existir ao mesmo tempo.

    Talvez o próximo passo seja simplesmente tentar

    Não precisas resolver hoje todos os medos que tens sobre o futuro.

    Talvez só precises de fazer aquela coisa que tens adiado.

    Enviar a candidatura.

    Publicar o primeiro trabalho.

    Começar o projecto.

    Inscrever-te naquele curso.

    Mostrar a alguém aquilo que criaste.

    Fazer a proposta.

    Dar o primeiro passo.

    E depois descobrir o resto.

    Porque talvez nunca exista um momento em que estejas completamente preparada para a vida que queres.

    Talvez a preparação aconteça enquanto a estás a construir.

    E, se um dia aquilo que tanto querias finalmente acontecer, espero que te permitas parar por um momento e perceber:

    “Eu tinha medo disto. E agora está a acontecer.”

    Talvez não precises ter todas as respostas.

    Talvez só precises de confiar que, quando a tua vida mudar, tu também vais aprender a mudar com ela.

  • Porque é tão difícil celebrar as nossas próprias conquistas?

    Já reparaste como é muito mais fácil reconhecer a conquista de outra pessoa do que a nossa?

    Quando uma amiga consegue um emprego, ficamos genuinamente felizes por ela. Quando alguém termina a universidade, queremos celebrar. Quando uma pessoa começa um projecto, alcança um objectivo ou consegue finalmente fazer alguma coisa que estava a tentar há meses, conseguimos olhar para aquilo e pensar:

    “Uau. Ela conseguiu mesmo.”

    Mas quando somos nós?

    Às vezes a reacção é:

    “Finalmente.”

    “Era o mínimo.”

    “Não foi nada de especial.”

    “Agora preciso de fazer isto.”

    E seguimos em frente.

    Como se não tivéssemos acabado de fazer algo que, há alguns meses, talvez nem soubéssemos se conseguiríamos fazer.

    Porque é que nunca parece suficiente?

    Acho que uma das razões pelas quais temos dificuldade em celebrar as nossas conquistas é porque nos habituámos a olhar para a vida como uma sequência de coisas que ainda precisamos alcançar.

    Terminamos uma tarefa e já pensamos na próxima.

    Conseguimos uma oportunidade e imediatamente começamos a pensar em como conseguir uma melhor.

    Alcançamos um objectivo e aumentamos a meta.

    É como se houvesse sempre uma versão futura de nós à nossa frente, a dizer:

    “Está bem, mas e agora?”

    E, sem percebermos, começamos a medir o nosso valor pelo próximo objectivo.

    O problema é que, se fizermos isso constantemente, nunca chegamos realmente a sentir que conseguimos.

    Porque sempre haverá alguma coisa depois.

    Às vezes diminuímos aquilo que conseguimos

    Também existe uma coisa curiosa que fazemos:

    mudamos a importância da conquista depois de a conseguirmos.

    Antes de acontecer, parecia enorme, pensávamos nisso todos os dias, tínhamos medo de não conseguir.

    Ficávamos ansiosas, trabalhávamos para aquilo. E quando finalmente acontece, de repente parece que não foi assim tão difícil.

    “Qualquer pessoa conseguiria.”

    “Não fiz nada de extraordinário.”

    “Só tive sorte.”

    “Demorou muito, por isso nem conta.”

    Mas o facto de algo ter acontecido não significa que tenha sido fácil. E ter conseguido não apaga tudo aquilo que aconteceu antes.

    O esforço continua a existir, as tentativas continuam a existir, os dias em que quase desististe continuam a existir.

    Talvez estejamos demasiado habituadas a pensar no que falta

    É muito fácil olhar para aquilo que ainda não somos.

    Ainda não tenho o emprego que quero.

    Ainda não ganho o suficiente.

    Ainda não tenho o corpo que gostaria.

    Ainda não alcancei aquele objectivo.

    Ainda não sei exactamente o que quero fazer.

    Ainda não estou onde imaginei que estaria.

    E quando olhamos constantemente para o que falta, aquilo que já conseguimos começa a desaparecer da nossa visão.

    Por isso, às vezes, acho que precisamos de fazer uma pausa e perguntar:

    “Espera. O que é que eu já fiz?”

    Não o que falta! Não o próximo objectivo.

    Não aquilo que outra pessoa da nossa idade já conseguiu.

    O que é que eu já fiz?

    Celebrar não significa achar que já fizeste tudo

    Talvez uma das razões pelas quais algumas pessoas têm dificuldade em celebrar seja o medo de ficarem acomodadas.

    Como se reconhecer uma conquista significasse deixar de querer crescer.

    Mas não significa.

    Posso estar orgulhosa de mim e continuar a querer melhorar, posso reconhecer que fiz um bom trabalho e ainda querer aprender, posso celebrar aquilo que alcancei sem decidir que aquilo é o máximo que consigo fazer.

    Gratidão pelo caminho não significa falta de ambição.

    Podemos querer mais sem tratar aquilo que já temos como insuficiente.

    E não precisas de esperar por uma grande conquista

    Às vezes pensamos que só podemos celebrar coisas enormes.

    Conseguir o emprego.

    Terminar a universidade.

    Comprar uma casa.

    Começar um negócio.

    Viajar para outro país.

    Mas e as pequenas coisas?

    Conseguiste finalmente começar aquele projecto.

    Foste consistente durante algumas semanas.

    Tiveste coragem para fazer uma coisa que te assustava.

    Disseste não quando normalmente terias dito sim.

    Começaste a cuidar melhor de ti.

    Terminaste alguma coisa que estavas a adiar.

    Pediste ajuda.

    Mudaste de opinião.

    Começaste de novo.

    Tudo isso também conta.

    A vida não é feita apenas das grandes fotografias que colocamos nas redes sociais.

    Existe muito crescimento a acontecer em coisas que ninguém vê.

    Aprendi que celebrar também é reconhecer quem eu era antes

    Gosto desta ideia porque uma conquista não é apenas sobre o resultado.

    É também sobre a pessoa que precisaste de ser para chegar até ali.

    Talvez tenhas aprendido alguma coisa.

    Talvez tenhas ultrapassado um medo.

    Talvez tenhas ficado mais disciplinada.

    Talvez tenhas aprendido a ter paciência.

    Talvez simplesmente tenhas continuado mesmo quando não tinhas a certeza de que iria resultar.

    Às vezes olhamos para a conquista e esquecemos de olhar para o caminho.

    E é no caminho que está grande parte da história.

    Então, como podemos começar a celebrar mais?

    Não acho que exista uma fórmula.

    Mas podemos começar por uma coisa muito simples:

    parar.

    Quando alguma coisa boa acontecer, não passes imediatamente para a próxima.

    Deixa-te sentir feliz.

    Conta a alguém de quem gostas.

    Escreve sobre isso.

    Tira uma fotografia.

    Compra aquele pequeno mimo que querias.

    Faz alguma coisa que te faça perceber:

    “Eu consegui isto.”

    E, principalmente, não sintas que precisas de justificar porque estás orgulhosa.

    Não precisas ter feito algo extraordinário aos olhos de toda a gente.

    A conquista é tua.

    Tu sabes quanto te custou chegar até ali.

    Tu já és a resposta para alguns dos desejos que um dia tiveste.

    Acho que mereces reconhecer isso.

    Não precisas esperar pela próxima grande conquista para teres orgulho de ti.

    Podes olhar para aquilo que já fizeste e simplesmente dizer:

    “Eu fiz isto. E estou orgulhosa de mim.”

    Sem diminuir.

    Sem comparar.

    Sem acrescentar um “mas”.

    Só isso.

    E talvez celebrar as nossas conquistas seja, no fundo, uma forma de aprender a reconhecer que a nossa vida também está a acontecer enquanto ainda estamos a tentar chegar a algum lugar.