Como construir uma rotina que funciona para mim

4-6 minutos

Durante muito tempo, achei que o problema era não conseguir manter uma rotina.

Eu começava cheia de motivação. Organizava os meus dias, fazia listas, definia horários e imaginava que, a partir de segunda-feira, finalmente ia conseguir fazer tudo aquilo que queria.

Só que a rotina durava pouco.

E então eu começava a pensar que talvez me faltasse disciplina.

Hoje vejo as coisas de outra forma.

Talvez o problema não fosse eu.

Talvez fosse a rotina que eu estava a tentar seguir.

Eu achava que precisava de uma rotina perfeita

É muito fácil encontrar a rotina perfeita na internet.

Acordar cedo. Treinar. Meditar. Ler. Estudar. Trabalhar. Beber dois litros de água. Fazer skincare. Aprender uma língua. Dormir oito horas.

Tudo parece possível quando vemos cada hábito isoladamente.

O problema é tentar colocar todos eles no mesmo dia.

Durante algum tempo, eu criava rotinas como se tivesse energia ilimitada, nenhum imprevisto e várias horas livres.

Depois chegava um dia normal.

Eu dormia um pouco mais.

Uma tarefa demorava mais do que esperava.

Ficava cansada.

E toda aquela rotina começava a desmoronar.

Foi aí que percebi uma coisa:

uma rotina só é boa se funcionar para a pessoa que realmente a vai viver.

Não para a versão idealizada de mim.

Parei de copiar a rotina de outras pessoas

Uma rotina pode funcionar perfeitamente para alguém e ser completamente errada para mim.

Talvez aquela pessoa acorde às 5h e adore começar o dia cedo.

Eu posso precisar de mais tempo para acordar.

Talvez alguém consiga treinar todos os dias.

Eu posso preferir treinar três vezes por semana.

Talvez outra pessoa consiga estudar à noite.

Eu posso ter mais concentração de manhã.

Isso não significa que uma de nós seja mais disciplinada.

Significa apenas que temos vidas, horários, responsabilidades e níveis de energia diferentes.

Por isso, em vez de perguntar “qual é a melhor rotina?”, comecei a perguntar:

“Que rotina faz sentido para a minha vida?”

Antes de criar uma rotina, olha para a tua vida

Parece óbvio, mas é uma etapa que muitas vezes ignoramos.

Antes de decidir o que quero fazer todos os dias, preciso perceber como os meus dias são actualmente.

Tenho aulas ou trabalho?

Quanto tempo passo em deslocações?

Em que momentos tenho mais energia?

Quando costumo ficar cansada?

Quanto tempo realmente tenho disponível?

O que já faço naturalmente?

E o que quero mudar?

Uma rotina não deve começar com dez hábitos novos.

Deve começar com a realidade que já existe.

Depois podemos construir a partir daí.

Começa pelo essencial

Quando tento mudar demasiadas coisas ao mesmo tempo, é muito fácil desistir.

Por isso, gosto de pensar primeiro nas coisas que considero essenciais para me sentir bem e conseguir funcionar.

Dormir o suficiente.

Comer bem.

Mexer o corpo.

Cumprir as minhas responsabilidades.

Ter algum tempo para mim.

A partir daí, posso acrescentar outras coisas.

Ler.

Estudar uma língua.

Escrever.

Trabalhar num projecto pessoal.

Criar conteúdo.

Mas essas coisas precisam de encontrar espaço na minha vida, e não o contrário.

Não quero que a minha rotina seja uma lista de obrigações.

Quero que ela me ajude a viver melhor.

Não tentes mudar tudo de uma vez

Existe uma vontade enorme de começar uma nova rotina e mudar a vida inteira numa segunda-feira.

É quase irresistível.

“Agora vou acordar cedo, treinar todos os dias, comer melhor, estudar duas horas, ler, deixar o telemóvel e ser super organizada.”

Parece motivador.

Mas é difícil sustentar.

Se queres criar uma rotina que consigas manter, talvez seja melhor começar com uma ou duas mudanças.

Por exemplo, começar a dormir e acordar aproximadamente à mesma hora.

Ou reservar três dias da semana para treinar.

Ou dedicar vinte minutos por dia a uma coisa que é importante para ti.

Quando isso começa a fazer parte da tua vida, podes acrescentar outra coisa.

Consistência não precisa de começar com intensidade.

Deixa espaço para os dias que não correm bem

Uma rotina realista precisa de conseguir sobreviver a um dia mau.

Porque eles vão existir.

Vai haver dias em que não vais cumprir o treino.

Dias em que vais dormir mais tarde.

Dias em que não vais conseguir estudar.

Dias em que simplesmente não tens cabeça para fazer tudo.

Isso não significa que a rotina deixou de funcionar.

Significa que és humana.

Uma rotina rígida pode fazer-nos pensar:

“Falhei hoje, então já estraguei tudo.”

Uma rotina flexível permite pensar:

“Hoje não correu como queria. Amanhã continuo.”

E acho que esta segunda mentalidade é muito mais sustentável.

Como saber se a tua rotina está a funcionar?

Não é apenas olhando para quantas tarefas conseguiste riscar.

Pergunta-te:

Estou a conseguir manter esta rotina sem me sentir constantemente exausta?

Tenho tempo para as coisas que são importantes para mim?

A rotina ajuda-me ou está a controlar-me?

Consigo adaptar-me quando alguma coisa muda?

Estou a construir hábitos que realmente quero manter?

Se a resposta for constantemente “não”, talvez não precises de mais disciplina.

Talvez precises de uma rotina diferente.

A minha rotina também pode mudar

Outra coisa que estou a aprender é que não preciso encontrar uma rotina perfeita e mantê-la para sempre.

A minha vida vai mudar.

Os meus horários vão mudar.

As minhas prioridades vão mudar.

Eu vou mudar.

Então é natural que a minha rotina também mude.

O que funciona para mim agora pode não funcionar daqui a um ano.

E isso não significa que voltei ao início.

Significa apenas que estou a adaptar a rotina à pessoa que sou naquele momento.

Não preciso de uma rotina perfeita

Hoje, quando penso em rotina, já não penso tanto em controlar o meu dia inteiro.

Penso em criar alguma estrutura que me ajude a fazer aquilo que é importante sem transformar a minha vida numa lista interminável de tarefas.

Porque uma rotina não deveria obrigar-te a caber num horário.

O horário é que deveria ser construído à volta da vida que tens.

E talvez a melhor rotina não seja aquela que parece mais impressionante.

Se calhar é simplesmente aquela que, mesmo num dia normal e imperfeito, consegues continuar a viver.

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