Categoria: Rotina & Produtividade

Organização e produtividade sem planos impossíveis nem a pressão de fazer tudo. Aprende a organizar a tua rotina, planear a semana, criar hábitos, lidar com a procrastinação e gerir melhor o teu tempo sem esquecer que descansar também faz parte da vida.

  • Como organizo a semana sem planos impossíveis

    7-10 minutos

    Durante muito tempo, eu confundia organização com conseguir fazer muitas coisas.

    Quando começava uma semana nova, queria aproveitar cada minuto. Fazia uma lista enorme de tarefas, distribuía tudo pelos dias e, de alguma forma, conseguia acreditar que aquela seria a semana em que finalmente faria tudo.

    Estudar, treinar, trabalhar, ler, criar conteúdo, organizar a casa, responder às mensagens, começar aquele projecto que estava parado há semanas. dormir bem, ter tempo para mim.

    À segunda-feira, parecia tudo perfeitamente possível, na quarta-feira, já estava cansada. E no domingo, normalmente, ficava com aquela sensação desagradável de que não tinha feito o suficiente.

    O problema não era necessariamente a minha falta de organização.

    Eu estava a planear semanas para uma versão de mim que não existia.

    Hoje tento fazer diferente. Não tento descobrir como encaixar o máximo de coisas possível numa semana. Tento perceber o que realmente precisa de acontecer e quanto espaço tenho para fazer acontecer.

    O problema de planear uma semana perfeita

    Muitas de nós fazemos isto sem perceber: imaginamos uma semana em que vamos acordar cedo todos os dias, cumprir todas as tarefas, treinar, estudar, comer bem, beber água, responder a toda a gente, avançar nos nossos projectos e ainda ter energia para fazer alguma coisa divertida.

    Só que a vida real não funciona assim.

    Há dias em que acordamos sem energia, há tarefas que demoram o dobro do que imaginávamos.

    Aparecem coisas que não estavam planeadas, uma reunião demora mais tempo.

    Alguém precisa de nós, ficamos doentes ou simplesmente temos um dia mau.

    E quando o nosso planeamento não tem espaço para nada disso, basta uma coisa sair do lugar para sentirmos que a semana inteira está perdida.

    Foi aí que comecei a perceber que uma semana organizada não é uma semana completamente preenchida, mas sim, uma semana que tem espaço suficiente para a vida acontecer.

    Primeiro, vejo o que já está marcado

    Antes de começar a escrever uma lista enorme de coisas que quero fazer, olho para aquilo que já sei que vai acontecer: aulas, trabalho, compromissos, consultas, treinos, eventos, qualquer coisa que tenha uma hora ou um dia específico.

    Parece básico, mas faz muita diferença.

    Porque às vezes fazemos uma lista com dez tarefas sem sequer considerar que metade da nossa semana já está ocupada.

    Depois perguntamo-nos por que razão nunca conseguimos cumprir o planeamento.

    Por isso, antes de decidir o que quero fazer, tento perceber quanto tempo realmente tenho disponível.

    Depois, escolho as prioridades

    Esta é provavelmente a parte que mais mudou a minha forma de organizar a semana.

    Nem tudo pode ser prioridade. Se tudo é urgente, nada é realmente prioridade.

    Por isso, tento escolher algumas coisas que quero mesmo que aconteçam naquela semana.

    Não precisam de ser grandes objectivos.

    Podem ser coisas como:

    • terminar determinado trabalho;
    • estudar para uma prova;
    • publicar determinado conteúdo;
    • avançar algumas horas num projecto;
    • fazer os meus treinos;
    • resolver uma tarefa que estou a adiar há demasiado tempo.

    A pergunta que gosto de fazer é:

    “Se no final desta semana eu só conseguir fazer algumas coisas, quais vou querer ter feito?”

    Isso ajuda-me a distinguir aquilo que é realmente importante daquilo que simplesmente parece urgente porque está na minha cabeça.

    Não transformo a lista inteira em compromissos

    Existe uma diferença entre querer fazer alguma coisa e ter de fazer alguma coisa num determinado dia.

    Nem tudo precisa de entrar na agenda.

    Se eu tenho cinco pequenas tarefas que gostaria de fazer durante a semana, não preciso necessariamente de decidir:

    Segunda-feira, 14h17: fazer tarefa 1.

    Ter uma estrutura demasiado rígida pode funcionar durante dois dias e depois tornar-se impossível de manter.

    Prefiro definir as minhas prioridades e distribuir algumas tarefas pelos dias, deixando espaço para adaptar o plano.

    Porque organização também é conseguir mudar o plano quando necessário.

    Divido as tarefas grandes

    Uma das razões pelas quais adiamos determinadas coisas é porque elas parecem maiores do que realmente são.

    “Trabalhar no projecto” não diz exactamente o que preciso de fazer.

    É uma tarefa enorme e vaga.

    Em vez disso, posso dividir:

    • pesquisar referências;
    • organizar as ideias;
    • escrever o primeiro rascunho;
    • rever;
    • finalizar.

    De repente, já não preciso de “fazer o projecto”, preciso apenas de começar pela primeira parte.

    Isto também torna mais fácil perceber quanto tempo uma tarefa pode realmente ocupar.

    Não encho todos os espaços vazios

    Esta foi difícil para mim.

    Quando via duas horas livres na agenda, a minha primeira reacção era pensar:

    “O que posso colocar aqui?”

    Hoje tento pensar:

    “Será que preciso mesmo de colocar alguma coisa aqui?”

    Tempo livre não é tempo desperdiçado.

    Às vezes essas duas horas vão servir para descansar, ou para fazer alguma coisa que não estava planeada, ou simplesmente para não estar a correr de uma tarefa para outra durante o dia inteiro.

    Se organizarmos a semana como se cada minuto tivesse de ser aproveitado, qualquer imprevisto vai parecer um problema.

    Se deixarmos algum espaço, o imprevisto passa a ser apenas… parte da semana.

    Também considero a minha energia

    Uma coisa que demorei a perceber é que tempo e energia não são a mesma coisa.

    Posso ter três horas livres e não ter energia mental para fazer uma tarefa que exige concentração.

    Posso ter apenas uma hora e conseguir fazer bastante porque estou focada.

    Por isso, quando planeio a semana, tento prestar atenção ao tipo de tarefa e não apenas ao tempo disponível.

    Tarefas que exigem mais concentração ficam, sempre que possível, para os momentos em que sei que funciono melhor.

    As tarefas mais simples podem ficar para momentos em que estou com menos energia.

    Não é sobre criar o horário perfeito.

    É sobre conhecer um pouco melhor a pessoa que vai ter de cumprir aquele horário.

    Deixo espaço para os dias maus

    Esta talvez seja a parte mais importante.

    Porque nós planeamos como se fossemos estar sempre bem.

    Só que não estamos.

    Há dias em que simplesmente não conseguimos produzir como gostaríamos.

    E acho que precisamos de parar de tratar isso como uma falha moral.

    Se tive um dia péssimo, talvez não consiga cumprir tudo o que estava planeado.

    Tudo bem.

    Posso reorganizar, posso adiar uma tarefa, posso diminuir o que tinha planeado, posso fazer apenas o essencial.

    Uma semana não fica arruinada porque uma terça-feira correu mal.

    Não preciso de recomeçar a minha vida todas as segundas-feiras.

    Faço uma pequena revisão a meio da semana

    Outra coisa que comecei a fazer é olhar novamente para o meu planeamento durante a semana, porque o que parecia realista no domingo pode deixar de fazer sentido na quarta-feira.

    Talvez tenha surgido uma tarefa nova.

    Talvez uma coisa tenha demorado mais do que esperava.

    Talvez eu tenha percebido que uma das minhas prioridades já não é assim tão importante.

    Então ajusto.

    Não vejo o planeamento como algo que escrevi e que agora tenho de obedecer.

    Vejo-o como uma ferramenta.

    Se a ferramenta deixou de servir, eu posso mexer nela.

    O meu planeamento semanal não precisa de ser bonito

    Confesso que gosto de coisas bonitas e organizadas.

    Mas aprendi que um planeamento pode ser extremamente bonito e completamente inútil.

    Não preciso de uma página cheia de cores, trackers e vinte categorias diferentes se no final não consigo perceber o que tenho realmente de fazer.

    Às vezes uma folha com:

    Esta semana

    • 3 prioridades
    • compromissos
    • tarefas
    • coisas que quero fazer
    • espaço para notas

    é suficiente.

    A melhor ferramenta de organização é aquela que realmente consigo usar.

    Não aquela que parece perfeita no Pinterest.

    No final, quero sentir que vivi a semana

    Esta é talvez a mudança mais importante.

    Hoje, quando penso em organizar a minha semana, não penso apenas em tudo aquilo que quero conseguir.

    Também penso em como quero sentir-me durante a semana.

    Quero ter tempo para descansar.

    Quero conseguir estar presente nas coisas que estou a fazer.

    Quero trabalhar nos meus objectivos sem sentir que estou constantemente atrasada.

    Quero poder fazer alguma coisa espontaneamente.

    Quero ter espaço para simplesmente existir.

    Porque se o meu planeamento me permite cumprir vinte tarefas, mas me deixa exausta e frustrada, será que foi realmente uma semana bem organizada?

    Não sei.

    Para mim, organização começou a significar outra coisa.

    Não é fazer tudo.

    É decidir conscientemente onde quero colocar o meu tempo e a minha energia.

    Um modelo simples para organizares a tua semana

    Se quiseres experimentar esta forma de planeamento, podes começar com cinco perguntas:

    1. O que já tenho marcado?

    Coloca compromissos, aulas, trabalho, consultas e tudo aquilo que tem uma hora ou data definida.

    2. Quais são as minhas três prioridades?

    Escolhe poucas.

    Se terminares essas três coisas, a semana já terá valido a pena.

    3. Que outras tarefas gostaria de fazer?

    Aqui entram as coisas importantes, mas que não precisam necessariamente de acontecer.

    4. Onde tenho espaço?

    Não tentes preencher todos os espaços vazios.

    Deixa margem.

    5. O que preciso de ajustar?

    No meio da semana, olha novamente para o plano.

    Pergunta-te:

    Ainda faz sentido?

    Se não fizer, muda.

    Não precisas de cumprir um plano só porque foste tu que o escreveste.

    Uma semana organizada não precisa de ser uma semana perfeita

    Ainda tenho semanas em que faço planos demasiado ambiciosos.

    Ainda há dias em que procrastino.

    Ainda há tarefas que ficam para a semana seguinte.

    A diferença é que já não interpreto automaticamente isso como falta de disciplina.

    Estou a aprender a organizar a minha vida de uma forma que tenha espaço para a vida real.

    Porque talvez organização não seja descobrir como fazer mais.

    Talvez seja descobrir o que merece realmente o nosso tempo.

    E, para mim, uma boa semana não é aquela em que consigo riscar tudo da lista.

    É aquela em que, no meio de todas as coisas que precisava de fazer, ainda consigo reconhecer que aquela semana também foi minha.

  • Como construir uma rotina que funciona para mim

    4-6 minutos

    Durante muito tempo, achei que o problema era não conseguir manter uma rotina.

    Eu começava cheia de motivação. Organizava os meus dias, fazia listas, definia horários e imaginava que, a partir de segunda-feira, finalmente ia conseguir fazer tudo aquilo que queria.

    Só que a rotina durava pouco.

    E então eu começava a pensar que talvez me faltasse disciplina.

    Hoje vejo as coisas de outra forma.

    Talvez o problema não fosse eu.

    Talvez fosse a rotina que eu estava a tentar seguir.

    Eu achava que precisava de uma rotina perfeita

    É muito fácil encontrar a rotina perfeita na internet.

    Acordar cedo. Treinar. Meditar. Ler. Estudar. Trabalhar. Beber dois litros de água. Fazer skincare. Aprender uma língua. Dormir oito horas.

    Tudo parece possível quando vemos cada hábito isoladamente.

    O problema é tentar colocar todos eles no mesmo dia.

    Durante algum tempo, eu criava rotinas como se tivesse energia ilimitada, nenhum imprevisto e várias horas livres.

    Depois chegava um dia normal.

    Eu dormia um pouco mais.

    Uma tarefa demorava mais do que esperava.

    Ficava cansada.

    E toda aquela rotina começava a desmoronar.

    Foi aí que percebi uma coisa:

    uma rotina só é boa se funcionar para a pessoa que realmente a vai viver.

    Não para a versão idealizada de mim.

    Parei de copiar a rotina de outras pessoas

    Uma rotina pode funcionar perfeitamente para alguém e ser completamente errada para mim.

    Talvez aquela pessoa acorde às 5h e adore começar o dia cedo.

    Eu posso precisar de mais tempo para acordar.

    Talvez alguém consiga treinar todos os dias.

    Eu posso preferir treinar três vezes por semana.

    Talvez outra pessoa consiga estudar à noite.

    Eu posso ter mais concentração de manhã.

    Isso não significa que uma de nós seja mais disciplinada.

    Significa apenas que temos vidas, horários, responsabilidades e níveis de energia diferentes.

    Por isso, em vez de perguntar “qual é a melhor rotina?”, comecei a perguntar:

    “Que rotina faz sentido para a minha vida?”

    Antes de criar uma rotina, olha para a tua vida

    Parece óbvio, mas é uma etapa que muitas vezes ignoramos.

    Antes de decidir o que quero fazer todos os dias, preciso perceber como os meus dias são actualmente.

    Tenho aulas ou trabalho?

    Quanto tempo passo em deslocações?

    Em que momentos tenho mais energia?

    Quando costumo ficar cansada?

    Quanto tempo realmente tenho disponível?

    O que já faço naturalmente?

    E o que quero mudar?

    Uma rotina não deve começar com dez hábitos novos.

    Deve começar com a realidade que já existe.

    Depois podemos construir a partir daí.

    Começa pelo essencial

    Quando tento mudar demasiadas coisas ao mesmo tempo, é muito fácil desistir.

    Por isso, gosto de pensar primeiro nas coisas que considero essenciais para me sentir bem e conseguir funcionar.

    Dormir o suficiente.

    Comer bem.

    Mexer o corpo.

    Cumprir as minhas responsabilidades.

    Ter algum tempo para mim.

    A partir daí, posso acrescentar outras coisas.

    Ler.

    Estudar uma língua.

    Escrever.

    Trabalhar num projecto pessoal.

    Criar conteúdo.

    Mas essas coisas precisam de encontrar espaço na minha vida, e não o contrário.

    Não quero que a minha rotina seja uma lista de obrigações.

    Quero que ela me ajude a viver melhor.

    Não tentes mudar tudo de uma vez

    Existe uma vontade enorme de começar uma nova rotina e mudar a vida inteira numa segunda-feira.

    É quase irresistível.

    “Agora vou acordar cedo, treinar todos os dias, comer melhor, estudar duas horas, ler, deixar o telemóvel e ser super organizada.”

    Parece motivador.

    Mas é difícil sustentar.

    Se queres criar uma rotina que consigas manter, talvez seja melhor começar com uma ou duas mudanças.

    Por exemplo, começar a dormir e acordar aproximadamente à mesma hora.

    Ou reservar três dias da semana para treinar.

    Ou dedicar vinte minutos por dia a uma coisa que é importante para ti.

    Quando isso começa a fazer parte da tua vida, podes acrescentar outra coisa.

    Consistência não precisa de começar com intensidade.

    Deixa espaço para os dias que não correm bem

    Uma rotina realista precisa de conseguir sobreviver a um dia mau.

    Porque eles vão existir.

    Vai haver dias em que não vais cumprir o treino.

    Dias em que vais dormir mais tarde.

    Dias em que não vais conseguir estudar.

    Dias em que simplesmente não tens cabeça para fazer tudo.

    Isso não significa que a rotina deixou de funcionar.

    Significa que és humana.

    Uma rotina rígida pode fazer-nos pensar:

    “Falhei hoje, então já estraguei tudo.”

    Uma rotina flexível permite pensar:

    “Hoje não correu como queria. Amanhã continuo.”

    E acho que esta segunda mentalidade é muito mais sustentável.

    Como saber se a tua rotina está a funcionar?

    Não é apenas olhando para quantas tarefas conseguiste riscar.

    Pergunta-te:

    Estou a conseguir manter esta rotina sem me sentir constantemente exausta?

    Tenho tempo para as coisas que são importantes para mim?

    A rotina ajuda-me ou está a controlar-me?

    Consigo adaptar-me quando alguma coisa muda?

    Estou a construir hábitos que realmente quero manter?

    Se a resposta for constantemente “não”, talvez não precises de mais disciplina.

    Talvez precises de uma rotina diferente.

    A minha rotina também pode mudar

    Outra coisa que estou a aprender é que não preciso encontrar uma rotina perfeita e mantê-la para sempre.

    A minha vida vai mudar.

    Os meus horários vão mudar.

    As minhas prioridades vão mudar.

    Eu vou mudar.

    Então é natural que a minha rotina também mude.

    O que funciona para mim agora pode não funcionar daqui a um ano.

    E isso não significa que voltei ao início.

    Significa apenas que estou a adaptar a rotina à pessoa que sou naquele momento.

    Não preciso de uma rotina perfeita

    Hoje, quando penso em rotina, já não penso tanto em controlar o meu dia inteiro.

    Penso em criar alguma estrutura que me ajude a fazer aquilo que é importante sem transformar a minha vida numa lista interminável de tarefas.

    Porque uma rotina não deveria obrigar-te a caber num horário.

    O horário é que deveria ser construído à volta da vida que tens.

    E talvez a melhor rotina não seja aquela que parece mais impressionante.

    Se calhar é simplesmente aquela que, mesmo num dia normal e imperfeito, consegues continuar a viver.