Não precisas ter a vida planeada aos 20

Não precisas ter a vida planeada aos 20

4-6 minutos

Se tens 20 anos e sentes que já devias saber exactamente o que estás a fazer da vida, este texto é para ti.

Tenho 20 anos.

E durante algum tempo achei que isso significava que já devia ter algumas respostas.

Que já devia saber o que queria estudar, onde queria viver, que carreira queria seguir, quanto dinheiro queria ganhar, que tipo de pessoa queria ser e, de preferência, onde estaria daqui a cinco anos.

O problema é que quanto mais tentava encontrar essas respostas, mais perdida me sentia.

Porque a verdade é que não sei exactamente como vai ser a minha vida daqui a cinco anos.

E estou a começar a perceber que talvez isso não seja um problema.

Aos 20, parece que toda a gente sabe o que está a fazer

Existe uma espécie de cronograma invisível para a vida adulta.

Aos 18, escolhes um curso.

Aos 20, já deverias estar encaminhada.

Aos 22, terminas a universidade.

Depois arranjas um bom emprego, começas a ganhar dinheiro, sais de casa, viajas, constróis uma carreira e, algures no meio disto tudo, descobres quem és.

Pelo menos é assim que parece quando olhamos para as pessoas à nossa volta.

Uma pessoa conseguiu um estágio.

Outra está a terminar a universidade.

Outra já começou um negócio.

Outra mudou-se para outro país.

Outra parece saber exactamente o que quer fazer da vida.

E, sem percebermos, começamos a comparar o nosso bastidor com o palco dos outros.

“Será que estou atrasada?”

“Será que devia estar a fazer mais?”

“E se eu estiver a desperdiçar os meus 20?”

“E se toda a gente estiver a avançar e eu estiver parada?”

Talvez já tenhas feito estas perguntas.

Eu já.

E se eu não souber o que quero?

Uma das coisas que mais me incomodava era não conseguir responder rapidamente à pergunta:

“O que queres fazer da tua vida?”

Parece uma pergunta simples.

Mas não é.

Porque às vezes sabemos o que queremos fazer agora, mas não sabemos se vamos querer fazer a mesma coisa daqui a três anos.

E isso é normal.

Aos 20, ainda estamos a conhecer partes de nós que nunca tivemos oportunidade de conhecer antes.

Estamos a experimentar responsabilidades novas, ambientes novos, pessoas novas e, muitas vezes, versões novas de nós mesmas.

Como é que eu poderia ter um mapa completo de uma vida que ainda estou a descobrir?

Talvez eu não precise de saber exactamente onde vou chegar.

Talvez precise apenas de saber qual é o próximo passo que faz sentido para mim.

A pressão de ter a vida resolvida

Acho que uma das maiores armadilhas dos 20 anos é acreditar que precisamos de transformar a nossa vida numa decisão definitiva.

Escolhemos um curso e pensamos:

“É isto que vou fazer.”

Arranjamos um emprego:

“É isto que vou fazer para sempre.”

Começamos um projecto:

“Agora tenho de conseguir.”

Mas e se mudarmos de ideias?

E se descobrirmos que não gostamos assim tanto?

E se aquilo que queríamos aos 20 deixar de fazer sentido aos 23?

Não significa que falhámos.

Significa que aprendemos alguma coisa.

Comparar o teu caminho com o dos outros

Uma coisa que tenho tentado lembrar-me é que idade não significa experiência igual.

Duas pessoas podem ter a mesma idade e estar em momentos completamente diferentes.

Uma pode ter começado a trabalhar aos 16.

Outra pode estar a entrar na universidade.

Uma pode ter viajado por vários países.

Outra pode nunca ter saído da sua cidade.

Uma pode já saber exactamente o que quer.

Outra pode estar a experimentar pela primeira vez.

Nenhuma dessas pessoas está necessariamente “mais avançada”.

Elas apenas têm histórias diferentes.

E quando comparamos o nosso caminho com o de outra pessoa, normalmente estamos a ignorar todas as coisas que aconteceram antes de ela chegar onde está.

Confundir indecisão com fracasso

Não saber ainda não significa não conseguir.

Às vezes significa simplesmente que ainda não tivemos experiências suficientes para descobrir.

É difícil saber se gostamos de alguma coisa sem experimentar.

É difícil saber que profissão queremos sem conhecer diferentes possibilidades.

É difícil saber quem somos sem passar por situações que nos desafiem.

Por isso, talvez uma parte dos nossos 20 anos seja precisamente esta:

experimentar o suficiente para começar a perceber.

Não estás atrasada

Talvez esta seja a parte que eu própria mais preciso de lembrar.

Não estás atrasada só porque alguém da tua idade está onde tu ainda não estás.

Não estás atrasada porque ainda não sabes exactamente o que queres.

Não estás atrasada porque mudaste de ideia.

Não estás atrasada porque o teu caminho está a ser diferente do que imaginaste.

E não precisas transformar os teus 20 anos numa corrida para provar que estás a aproveitar a vida.

Há coisas que levam tempo.

Conhecer-te leva tempo.

Construir uma carreira leva tempo.

Aprender a relacionar-te contigo mesma leva tempo.

Descobrir aquilo que realmente queres leva tempo.

Talvez não precises de um plano para os próximos dez anos

Talvez precises de um plano para os próximos meses.

Talvez precises de escolher uma coisa para experimentar.

Uma competência para aprender.

Uma conversa que precisas ter contigo mesma.

Um hábito que queres construir.

Um lugar que queres conhecer.

Um projecto que queres começar.

Uma coisa que tens medo de tentar.

Não precisas saber exactamente onde tudo isso vai dar.

Podes começar e descobrir pelo caminho.

Porque talvez crescer não seja chegar aos 20 com a vida toda planeada.

Talvez seja começar a construir uma vida que realmente faça sentido para ti — mesmo que ainda não saibas exactamente como ela vai ficar.

E, por enquanto, acho que isso é suficiente.

Não precisas ter a vida planeada aos 20.

Precisas de te dar espaço para descobrir quem és.

Comentários

Uma resposta a “Não precisas ter a vida planeada aos 20”

  1. […] E se uma das coisas que mais te preocupa aos 20 é ainda não saberes exactamente para onde estás a ir, talvez gostes de ler também: Não precisas ter a vida toda planeada aos 20. […]

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