Categoria: Autoconhecimento

Autoconhecimento para entender melhor quem és, o que queres e para onde queres ir. Reflexões, journaling, propósito, identidade, escolhas e ferramentas para te conheceres melhor e construíres uma vida que faça sentido para ti.

  • O que fazer aos 20 anos: 15 coisas que gostava de ter percebido antes

    Aos 20, existe uma pergunta que aparece de várias formas:

    “O que é que eu devia estar a fazer com a minha vida?”

    Talvez estejas na universidade, talvez já estejas a trabalhar, talvez estejas a tentar descobrir o que queres estudar, talvez tenhas começado um projecto, talvez não tenhas a mínima ideia do que estás a fazer.

    E talvez estejas a olhar para outras pessoas da tua idade e a pensar que deverias estar mais à frente.

    Eu já me senti assim.

    Mas quanto mais penso sobre os meus 20 anos, mais percebo que talvez esta fase não seja tanto sobre ter a vida resolvida, mas sobre aprender algumas coisas que ninguém nos explica.

    Por isso, se pudesse sentar-me com a minha versão mais nova durante uma tarde, estas são as 15 coisas que gostava de lhe dizer.

    1. Não precisas saber exactamente o que queres fazer da vida

    Esta provavelmente seria a primeira coisa que diria.

    A pergunta “o que queres fazer da vida?” parece exigir uma resposta definitiva.

    Mas tu podes não ter uma.

    E isso não significa que estejas perdida.

    Aos 20, ainda estás a descobrir do que gostas, aquilo em que és boa, o que valorizas e, principalmente, aquilo que já não queres.

    Não precisas escolher uma profissão e assumir que vais gostar dela para sempre.

    Podes começar por descobrir qual é o próximo caminho que queres experimentar.

    2. Experimenta coisas antes de decidires que não são para ti

    Às vezes passamos demasiado tempo a pensar sobre aquilo que queremos fazer sem nunca experimentar.

    “Será que eu gostaria?”

    “Será que sou boa o suficiente?”

    “E se não resultar?”

    É difícil responder a essas perguntas sem tentar.

    Faz o curso.

    Participa naquele projecto.

    Aprende aquela competência.

    Publica aquele primeiro vídeo.

    Vai àquele evento.

    Tenta.

    Algumas coisas vão funcionar. Outras não.

    Mas até aquilo que não resulta te dá informação sobre ti.

    3. Aprende a estar sozinha

    Estar sozinha e sentir-se sozinha são coisas diferentes.

    Aprender a passar tempo contigo mesma pode ser estranho no início, principalmente se estás habituada a estar sempre rodeada de pessoas ou distraída pelo telemóvel.

    Mas existe qualquer coisa de especial em conseguir sair para tomar um café sozinha, ir ao cinema, caminhar, viajar ou simplesmente passar uma tarde contigo sem sentires que precisas de alguém para tornar aquele momento válido.

    Começas a perceber que a tua própria companhia também pode ser uma companhia de que gostas.

    4. Descobre o que não queres

    Existe muita pressão para descobrirmos aquilo que queremos.

    Mas quase ninguém fala sobre a importância de descobrir aquilo que não queremos.

    Talvez experimentes uma área profissional e percebas que não é para ti.

    Talvez descubras que determinado ambiente de trabalho te faz mal.

    Talvez percebas que não queres viver de determinada maneira.

    Tudo isso conta.

    Não precisas de sair de cada experiência com uma resposta.

    Às vezes, sais apenas com um:

    “Ok, isto definitivamente não é para mim.”

    E isso já é alguma coisa.

    5. Aprende a gerir o teu dinheiro

    Não precisas ser rica aos 20 para começar a aprender sobre dinheiro.

    Na verdade, quanto mais cedo começares, melhor.

    Aprende quanto entra, quanto sai e para onde o teu dinheiro está a ir.

    Aprende a poupar.

    Aprende a distinguir uma coisa que queres de uma coisa que realmente precisas.

    Aprende sobre juros, dívida, investimentos e impostos.

    Não precisas tornar-te especialista.

    Mas perceber minimamente como o dinheiro funciona pode dar-te uma liberdade que vai muito além de comprar coisas.

    6. Cuida das amizades que te fazem bem

    Nem todas as amizades precisam de durar para sempre.

    E isto pode ser difícil de aceitar.

    Algumas pessoas vão fazer parte de uma fase específica da tua vida.

    Outras vão ficar.

    O importante é aprenderes a reconhecer a diferença entre uma amizade que te desafia a crescer e uma relação que te faz constantemente questionar o teu próprio valor.

    Escolhe pessoas com quem possas ser tu.

    Pessoas que ficam felizes pelas tuas conquistas.

    Pessoas com quem podes falar de coisas sérias e também rir de coisas completamente estúpidas.

    E lembra-te de que amizade também exige iniciativa.

    Às vezes, manda a mensagem.

    Faz o convite.

    Pergunta como a pessoa está.

    As relações que queremos manter também precisam de espaço na nossa agenda.

    7. Aprende a dizer não sem escrever uma dissertação

    Durante muito tempo, achei que precisava de uma boa explicação para cada “não”.

    Como se a minha decisão só fosse válida se a outra pessoa concordasse com ela.

    Mas não precisas justificar cada limite até a outra pessoa ficar satisfeita.

    Podes não querer.

    Podes não conseguir.

    Podes simplesmente não estar disponível.

    E isso não faz de ti uma pessoa egoísta.

    Aprender a dizer não também é aprender a respeitar o teu próprio tempo, energia e limites.

    8. Cuida do teu corpo antes de ele te obrigar a prestar atenção

    Não estou a falar de perseguir um corpo perfeito.

    Estou a falar de coisas muito menos interessantes e muito mais importantes:

    Dormir.

    Comer decentemente.

    Mexer o corpo.

    Beber água.

    Descansar.

    Ir ao médico quando é necessário.

    Não passar meses a ignorar sinais porque tens coisas “mais importantes” para fazer.

    O teu corpo vai acompanhar-te em tudo o que queres construir.

    Vale a pena tratá-lo como parte da tua vida, e não como um projecto separado dela.

    9. Aprende alguma coisa que não tenha utilidade imediata

    Nem tudo precisa de servir para o currículo.

    Aprende uma língua porque gostas.

    Pinta.

    Toca um instrumento.

    Lê sobre um assunto que não tem nada a ver com o teu curso.

    Aprende a cozinhar.

    Faz fotografia.

    Escreve.

    Estuda astronomia só porque achas fascinante.

    Existe uma tendência para transformarmos cada actividade numa oportunidade de produtividade.

    Mas algumas coisas podem simplesmente dar-te vida.

    E isso também é útil.

    10. Não transformes os teus hobbies em negócios imediatamente

    Esta merece um lugar próprio.

    Vivemos numa época em que parece que tudo precisa de ser monetizado.

    Gostas de pintar?

    “Abre uma loja.”

    Gostas de escrever?

    “Cria um ebook.”

    Gostas de cozinhar?

    “Começa um negócio.”

    Gostas de fazer vídeos?

    “Constrói uma marca pessoal.”

    E talvez algumas dessas coisas realmente se transformem em trabalho.

    Mas não precisam.

    Podes ter alguma coisa que fazes simplesmente porque gostas.

    Nem tudo aquilo que amas precisa de pagar as tuas contas.

    Algumas coisas existem apenas porque tornam a vida mais bonita.

    11. Aprende a lidar com o desconforto de começar

    Quase tudo parece ridículo quando estamos a começar.

    O primeiro vídeo.

    O primeiro desenho.

    O primeiro treino.

    A primeira apresentação.

    O primeiro projecto.

    O primeiro texto.

    Queremos esperar até sermos suficientemente boas para começar.

    Só que ninguém fica boa sem começar.

    O início vai ser estranho.

    Provavelmente vais olhar para trás e perceber que eras muito pior do que és agora.

    Ainda bem.

    Isso significa que melhoraste.

    12. Não tenhas medo de mudar de opinião

    A tua opinião aos 20 não precisa de ser a tua opinião aos 30.

    E não precisas defender uma versão antiga de ti só porque outras pessoas se habituaram a ela.

    Podes mudar de curso.

    Mudar de carreira.

    Mudar de cidade.

    Mudar os teus objectivos.

    Mudar de opinião sobre aquilo que queres.

    Crescer também significa perceber que algumas coisas que faziam sentido para nós numa determinada fase já não fazem.

    Não precisas continuar numa direcção só porque já investiste muito tempo nela.

    13. Faz coisas que vais lembrar

    Nem tudo precisa de ser sobre construir o futuro.

    Vai à praia.

    Aceita aquele convite.

    Faz uma viagem, mesmo que seja curta.

    Vai a um concerto.

    Experimenta um restaurante novo.

    Faz um passeio sem destino.

    Passa uma tarde a conversar com alguém até perderes a noção das horas.

    Tira fotografias.

    Ri muito.

    Os teus 20 anos também estão a acontecer agora.

    É fácil ficarmos tão concentradas na pessoa que queremos ser que esquecemos de viver enquanto estamos a tornar-nos nela.

    14. Começa a conhecer-te de verdade

    Esta talvez seja a mais importante de todas.

    Descobre o que te irrita.

    O que te entusiasma.

    O que te assusta.

    O que te faz sentir segura.

    Aquilo que não estás disposta a negociar.

    As coisas que fazes apenas para agradar aos outros.

    Os ambientes onde te sentes tu mesma.

    Os teus padrões.

    Os teus limites.

    Os teus sonhos.

    E também as tuas contradições.

    Não precisas criar uma versão perfeita de ti.

    Precisas conhecer a pessoa que realmente és.

    Porque é muito difícil construir uma vida que combina contigo quando ainda estás a viver segundo aquilo que achas que deverias querer.

    15. Não tenhas tanta pressa

    Esta é provavelmente a coisa que mais gostava de ter percebido antes.

    Há uma urgência estranha associada aos 20 anos.

    Como se tivéssemos de aproveitar cada segundo.

    Ter sucesso cedo.

    Encontrar a carreira certa.

    Ganhar dinheiro.

    Viajar.

    Construir um corpo perfeito.

    Ter relacionamentos incríveis.

    Descobrir o propósito.

    E, de alguma forma, fazer tudo isto antes dos 25.

    Mas não existe um prémio por chegar primeiro.

    A tua vida não é uma corrida.

    E não precisas transformar cada ano numa prova de produtividade.

    Podes ir devagar.

    Podes parar.

    Podes recomeçar.

    Podes não saber.

    Podes mudar.

    Podes experimentar.

    Podes simplesmente viver.

    Então, o que fazer aos 20 anos?

    Se me perguntasses agora, eu diria:

    Conhece-te. Experimenta. Aprende. Cuida de ti. Faz amigos. Poupa algum dinheiro. Desenvolve competências. Viaja quando puderes. Cria coisas. Faz coisas só porque gostas. Diz não quando precisares. Permite-te mudar de opinião. E não tenhas tanta pressa.

    Não porque exista uma lista certa de coisas que todas as pessoas precisam de fazer aos 20.

    Mas porque esta é uma fase em que temos uma oportunidade enorme de experimentar diferentes versões da nossa vida.

    E algumas vão funcionar, e outras não.

    Tudo bem.

    O objectivo não é chegar aos 30 e conseguir dizer que fizeste tudo.

    É chegar lá conhecendo-te um pouco melhor do que te conhecias aos 20.

    E talvez perceber que não precisavas de ter aproveitado os teus 20 anos da maneira “certa”.

    Precisavas apenas de os viver de uma forma que fizesse sentido para ti.


    E se uma das coisas que mais te preocupa aos 20 é ainda não saberes exactamente para onde estás a ir, talvez gostes de ler também: Não precisas ter a vida toda planeada aos 20.

  • Não precisas ter a vida planeada aos 20

    Não precisas ter a vida planeada aos 20

    4-6 minutos

    Se tens 20 anos e sentes que já devias saber exactamente o que estás a fazer da vida, este texto é para ti.

    Tenho 20 anos.

    E durante algum tempo achei que isso significava que já devia ter algumas respostas.

    Que já devia saber o que queria estudar, onde queria viver, que carreira queria seguir, quanto dinheiro queria ganhar, que tipo de pessoa queria ser e, de preferência, onde estaria daqui a cinco anos.

    O problema é que quanto mais tentava encontrar essas respostas, mais perdida me sentia.

    Porque a verdade é que não sei exactamente como vai ser a minha vida daqui a cinco anos.

    E estou a começar a perceber que talvez isso não seja um problema.

    Aos 20, parece que toda a gente sabe o que está a fazer

    Existe uma espécie de cronograma invisível para a vida adulta.

    Aos 18, escolhes um curso.

    Aos 20, já deverias estar encaminhada.

    Aos 22, terminas a universidade.

    Depois arranjas um bom emprego, começas a ganhar dinheiro, sais de casa, viajas, constróis uma carreira e, algures no meio disto tudo, descobres quem és.

    Pelo menos é assim que parece quando olhamos para as pessoas à nossa volta.

    Uma pessoa conseguiu um estágio.

    Outra está a terminar a universidade.

    Outra já começou um negócio.

    Outra mudou-se para outro país.

    Outra parece saber exactamente o que quer fazer da vida.

    E, sem percebermos, começamos a comparar o nosso bastidor com o palco dos outros.

    “Será que estou atrasada?”

    “Será que devia estar a fazer mais?”

    “E se eu estiver a desperdiçar os meus 20?”

    “E se toda a gente estiver a avançar e eu estiver parada?”

    Talvez já tenhas feito estas perguntas.

    Eu já.

    E se eu não souber o que quero?

    Uma das coisas que mais me incomodava era não conseguir responder rapidamente à pergunta:

    “O que queres fazer da tua vida?”

    Parece uma pergunta simples.

    Mas não é.

    Porque às vezes sabemos o que queremos fazer agora, mas não sabemos se vamos querer fazer a mesma coisa daqui a três anos.

    E isso é normal.

    Aos 20, ainda estamos a conhecer partes de nós que nunca tivemos oportunidade de conhecer antes.

    Estamos a experimentar responsabilidades novas, ambientes novos, pessoas novas e, muitas vezes, versões novas de nós mesmas.

    Como é que eu poderia ter um mapa completo de uma vida que ainda estou a descobrir?

    Talvez eu não precise de saber exactamente onde vou chegar.

    Talvez precise apenas de saber qual é o próximo passo que faz sentido para mim.

    A pressão de ter a vida resolvida

    Acho que uma das maiores armadilhas dos 20 anos é acreditar que precisamos de transformar a nossa vida numa decisão definitiva.

    Escolhemos um curso e pensamos:

    “É isto que vou fazer.”

    Arranjamos um emprego:

    “É isto que vou fazer para sempre.”

    Começamos um projecto:

    “Agora tenho de conseguir.”

    Mas e se mudarmos de ideias?

    E se descobrirmos que não gostamos assim tanto?

    E se aquilo que queríamos aos 20 deixar de fazer sentido aos 23?

    Não significa que falhámos.

    Significa que aprendemos alguma coisa.

    Comparar o teu caminho com o dos outros

    Uma coisa que tenho tentado lembrar-me é que idade não significa experiência igual.

    Duas pessoas podem ter a mesma idade e estar em momentos completamente diferentes.

    Uma pode ter começado a trabalhar aos 16.

    Outra pode estar a entrar na universidade.

    Uma pode ter viajado por vários países.

    Outra pode nunca ter saído da sua cidade.

    Uma pode já saber exactamente o que quer.

    Outra pode estar a experimentar pela primeira vez.

    Nenhuma dessas pessoas está necessariamente “mais avançada”.

    Elas apenas têm histórias diferentes.

    E quando comparamos o nosso caminho com o de outra pessoa, normalmente estamos a ignorar todas as coisas que aconteceram antes de ela chegar onde está.

    Confundir indecisão com fracasso

    Não saber ainda não significa não conseguir.

    Às vezes significa simplesmente que ainda não tivemos experiências suficientes para descobrir.

    É difícil saber se gostamos de alguma coisa sem experimentar.

    É difícil saber que profissão queremos sem conhecer diferentes possibilidades.

    É difícil saber quem somos sem passar por situações que nos desafiem.

    Por isso, talvez uma parte dos nossos 20 anos seja precisamente esta:

    experimentar o suficiente para começar a perceber.

    Não estás atrasada

    Talvez esta seja a parte que eu própria mais preciso de lembrar.

    Não estás atrasada só porque alguém da tua idade está onde tu ainda não estás.

    Não estás atrasada porque ainda não sabes exactamente o que queres.

    Não estás atrasada porque mudaste de ideia.

    Não estás atrasada porque o teu caminho está a ser diferente do que imaginaste.

    E não precisas transformar os teus 20 anos numa corrida para provar que estás a aproveitar a vida.

    Há coisas que levam tempo.

    Conhecer-te leva tempo.

    Construir uma carreira leva tempo.

    Aprender a relacionar-te contigo mesma leva tempo.

    Descobrir aquilo que realmente queres leva tempo.

    Talvez não precises de um plano para os próximos dez anos

    Talvez precises de um plano para os próximos meses.

    Talvez precises de escolher uma coisa para experimentar.

    Uma competência para aprender.

    Uma conversa que precisas ter contigo mesma.

    Um hábito que queres construir.

    Um lugar que queres conhecer.

    Um projecto que queres começar.

    Uma coisa que tens medo de tentar.

    Não precisas saber exactamente onde tudo isso vai dar.

    Podes começar e descobrir pelo caminho.

    Porque talvez crescer não seja chegar aos 20 com a vida toda planeada.

    Talvez seja começar a construir uma vida que realmente faça sentido para ti — mesmo que ainda não saibas exactamente como ela vai ficar.

    E, por enquanto, acho que isso é suficiente.

    Não precisas ter a vida planeada aos 20.

    Precisas de te dar espaço para descobrir quem és.