Durante muito tempo, achei que em algum momento simplesmente ia descobrir o que queria fazer profissionalmente.
Como se houvesse uma profissão certa à minha espera e, quando eu encontrasse, tudo faria sentido: eu saberia o que estudar, que competências desenvolver, onde trabalhar e, finalmente, para onde estava a levar a minha vida.
Só que a realidade é bem menos organizada do que isso.
E talvez uma das coisas que mais dificulte descobrir o que queremos fazer seja precisamente a pressão para termos uma resposta definitiva.
E se não souberes ainda?
É difícil admitir que não sabes o que queres fazer quando parece que toda a gente à tua volta já decidiu.
Há quem saiba desde criança o que quer ser. Há quem escolha um curso rapidamente. Há quem já esteja a fazer estágios, a trabalhar, a construir um negócio ou a falar sobre os próximos cinco anos como se tivesse um mapa completo.
E tu podes estar simplesmente a pensar:
“Eu não faço ideia.”
Isso não significa que não tenhas ambição, nem que estejas atrasada, ou que não tenhas talento.
Às vezes, só significa que ainda não tiveste experiências suficientes para perceber o que realmente combina contigo.
Não tentes descobrir a profissão. Descobre-te primeiro.
Uma pergunta como “O que quero fazer da vida?” pode ser demasiado grande.
Em vez disso, começa por perguntas mais pequenas.
O que gosto de fazer?
Que assuntos me fazem perder a noção do tempo?
Que problemas gosto de resolver?
Prefiro trabalhar sozinha ou com outras pessoas?
Gosto de criar, analisar, comunicar, organizar, ensinar, investigar ou construir?
Que tipo de ambiente de trabalho consigo imaginar para mim?
O que definitivamente não quero?
Esta última pergunta é particularmente importante.
Porque nem sempre descobrimos o nosso caminho sabendo imediatamente o que queremos.
Às vezes descobrimos através daquilo que experimentamos e percebemos que não é para nós.
E isso também é progresso.
Experimenta antes de decidir
Uma das coisas que mais pode ajudar a descobrir uma carreira é parar de tentar decidir tudo apenas na nossa cabeça.
Pesquisa, sim, mas experimenta também.
Faz um curso curto. Participa num projecto. Faz voluntariado. Aprende uma competência. Conversa com alguém que trabalha numa área que te interessa. Cria alguma coisa por conta própria. Faz um estágio quando tiveres oportunidade.
Não precisas comprometer-te com uma profissão só porque decidiste experimentar.
Experimentar não é escolher.
É recolher informação sobre ti mesma.
Talvez descubras que gostas muito mais daquela área do que imaginavas.
Talvez percebas que não gostas.
Talvez gostes, mas não da forma como imaginavas.
Tudo isso é útil.
Não escolhas apenas pelo que parece seguro
Quando estamos perdidas profissionalmente, é tentador escolher aquilo que parece mais seguro.
O curso com mais saída.
A profissão que toda a gente considera boa.
A área que paga melhor.
O caminho que os nossos pais acham mais adequado.
E, claro, estabilidade e dinheiro são factores importantes. Não precisamos fingir que não são.
Mas uma carreira não é apenas uma lista de salários e oportunidades.
Também vais passar uma parte enorme da tua vida a fazer esse trabalho.
Por isso, vale a pena perguntar:
“Consigo imaginar-me a viver esta rotina durante alguns anos?”
Não apenas:
“Esta profissão dá dinheiro?”
Não compares o teu processo com o de outra pessoa
Talvez a tua amiga já saiba exactamente o que quer fazer.
Talvez alguém da tua idade já esteja a trabalhar na área dos sonhos.
Talvez vejas pessoas no LinkedIn ou nas redes sociais a construir carreiras incríveis e sintas que devias estar a fazer muito mais.
Mas estás a comparar o teu bastidor com o palco de outra pessoa.
Tu não sabes quantas dúvidas aquela pessoa teve antes de chegar ali.
Não sabes quantas vezes mudou de ideia.
Não sabes o que aconteceu nos anos anteriores.
E, principalmente, não precisas de estar no mesmo lugar que ela.
A carreira não é uma corrida em que toda a gente começa e termina ao mesmo tempo.
E se mudares de ideia?
Podes.
Escolher uma área aos 18, 20 ou 25 anos não significa assinar um contrato com o teu futuro.
As pessoas mudam, os interesses mudam, as oportunidades mudam.
A vida muda.
E, às vezes, aquilo que parecia ser o caminho certo deixa de fazer sentido.
Isso não significa necessariamente que tomaste uma decisão errada.
Pode significar apenas que aprendeste mais sobre ti.
Não precisas de permanecer numa escolha apenas para provar que foste consistente.
Começa pelo próximo passo
Talvez nunca tenhas aquele momento mágico em que acordas e pensas:
“É isto. Descobri exactamente o que quero fazer para o resto da minha vida.”
Talvez descubras aos poucos.
Uma experiência de cada vez.
Uma competência de cada vez.
Uma conversa de cada vez.
Uma tentativa de cada vez.
Por isso, se neste momento não sabes o que queres fazer profissionalmente, talvez a pergunta não precise de ser:
“Qual é a carreira certa para mim?”
Pode ser:
“O que posso experimentar agora para me conhecer um pouco melhor?”
Porque não precisas de descobrir a tua vida inteira hoje.
Precisas apenas de encontrar o próximo passo.
E, às vezes, é enquanto caminhamos que percebemos para onde queremos ir.
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