Categoria: Carreira & Universidade

Conteúdos sobre carreira, universidade e construção do teu futuro profissional. Descobre como escolher caminhos, desenvolver competências, lidar com a vida universitária, encontrar oportunidades e construir uma carreira sem precisares de ter tudo decidido desde o início.

  • Como parar de sentir que estás atrasada profissionalmente

    4-7 minutos

    Há uma fase da vida em que parece que toda a gente começou a avançar menos tu.

    Uma pessoa conseguiu o primeiro estágio. Outra já está a trabalhar. Alguém começou um mestrado. Outra pessoa criou um negócio. Vês alguém da tua idade a publicar no LinkedIn sobre uma nova oportunidade e, de repente, começas a fazer contas.

    “Eu devia estar a fazer isto também.”

    “Se calhar estou atrasada.”

    “O que é que eu andei a fazer este tempo todo?”

    E o pior é que, às vezes, nem sequer estás insatisfeita com a tua vida.

    Só estás a olhar demasiado para a vida dos outros.

    Existe uma linha do tempo que ninguém te entregou

    Acho que uma das coisas que mais nos pressiona no início da vida adulta é a ideia de que existe uma idade certa para cada conquista.

    Aos 18 devias entrar na universidade.

    Aos 20 devias saber o que queres fazer.

    Aos 22 devias terminar o curso.

    Depois arranjar emprego.

    Depois construir carreira.

    E, de alguma forma, parece que se não cumprires esta sequência estás atrasada.

    Mas quem decidiu isso?

    A vida não funciona assim.

    Há pessoas que descobrem o que querem aos 18. Outras aos 25. Outras aos 30.

    Há quem comece a trabalhar cedo e depois perceba que quer mudar completamente de área.

    Há quem passe anos a estudar antes de descobrir aquilo que realmente gosta.

    Há quem tenha oportunidades muito cedo e há quem precise de esperar muito mais tempo por elas.

    Não existe uma única linha do tempo.

    Talvez não estejas atrasada. Talvez estejas a começar de um ponto diferente.

    É fácil olhar para alguém e comparar resultados.

    Mais difícil é lembrar que não começámos todos do mesmo lugar.

    As oportunidades que tiveste, o apoio que recebeste, os recursos que tinhas, as responsabilidades que carregaste, as pessoas que conheceste e até o lugar onde nasceste podem influenciar o caminho profissional de uma pessoa.

    Por isso, comparar apenas idades e conquistas não conta a história toda.

    E mesmo quando duas pessoas tiveram oportunidades semelhantes, continuam a ser pessoas diferentes.

    Com ritmos diferentes.

    Interesses diferentes.

    Prioridades diferentes.

    E vidas diferentes.

    O problema de transformar a carreira numa corrida

    Quando começas a pensar na tua carreira como uma corrida, qualquer pessoa que esteja à tua frente parece uma prova de que estás a perder.

    E isso pode fazer-te tomar decisões apenas para não ficares para trás.

    Aceitar qualquer oportunidade porque “precisas de começar”.

    Escolher uma área porque parece estar a dar certo para toda a gente.

    Fazer um curso só porque sentes que já devias estar a estudar alguma coisa.

    Candidatares-te a tudo, não porque queres aquelas oportunidades, mas porque tens medo de não ter nenhuma.

    E, sem perceberes, deixas de perguntar:

    “Isto faz sentido para mim?”

    E passas a perguntar:

    “Isto faz-me parecer avançada?”

    São coisas muito diferentes.

    Também podes estar a avançar sem teres uma grande conquista para mostrar

    Nem todo o progresso fica bonito num currículo.

    Aprender uma competência.

    Melhorar o teu inglês ou francês.

    Criar um projecto pessoal.

    Fazer um curso.

    Aprender a comunicar melhor.

    Descobrir que determinada área não é para ti.

    Começar a construir um portfólio.

    Ter coragem para te candidatares a uma oportunidade mesmo achando que não estás preparada.

    Até aprenderes a organizar melhor o teu tempo e a conheceres melhor aquilo que queres pode fazer parte da construção da tua carreira.

    Nem tudo precisa de aparecer numa publicação no LinkedIn para contar.

    E talvez precises de parar de olhar tanto para o que os outros estão a fazer

    Eu sei que é difícil.

    Principalmente quando as redes sociais transformam as conquistas das outras pessoas numa espécie de calendário público.

    Todos os dias há alguém a conseguir uma bolsa, um estágio, um emprego, uma promoção, a viajar, a terminar o curso ou a começar um projecto.

    E tu vês tudo.

    Só que ninguém publica os meses em que não aconteceu nada.

    As candidaturas que foram rejeitadas.

    As dúvidas.

    Os atrasos.

    As oportunidades que não apareceram.

    As vezes em que aquela pessoa também se sentiu perdida.

    Estás a comparar o teu processo inteiro com pequenos momentos seleccionados da vida de outras pessoas.

    É uma comparação impossível de ganhar.

    Pergunta-te: atrasada em relação a quê?

    Esta pergunta pode parecer simples, mas acho que vale a pena fazê-la.

    Atrasada em relação a quem?

    E, principalmente:

    Atrasada em relação a quê?

    Porque talvez tenhas uma ideia muito clara de onde “deverias” estar, mas nunca tenhas parado para perceber se esse lugar é realmente aquilo que queres.

    Talvez estejas a correr para chegar a um destino que escolheste apenas porque parecia ser o próximo passo.

    E talvez o que precises não seja de acelerar.

    Talvez precises de parar e escolher melhor a direcção.

    Não precisas recuperar o tempo perdido

    Se sentes que começaste tarde, é normal quereres compensar.

    Querer fazer tudo rapidamente.

    Aprender cinco competências ao mesmo tempo.

    Candidatares-te a todas as oportunidades.

    Trabalhar sem parar para “recuperar”.

    Mas a tua carreira não precisa de ser uma corrida para compensar os anos anteriores.

    Não precisas provar que consegues recuperar o tempo.

    Precisas de construir alguma coisa que faça sentido para ti daqui para a frente.

    E isso pode começar hoje.

    Com uma candidatura.

    Um projecto.

    Uma conversa.

    Uma pesquisa.

    Uma hora de estudo.

    Uma decisão que tens vindo a adiar.

    Não parece muito quando olhas para um único dia.

    Mas é assim que as coisas começam.

    O teu caminho não ficou para trás

    Talvez estejas exactamente onde precisas de estar para a próxima fase da tua vida.

    Ou talvez realmente precises de fazer algumas mudanças.

    Só tu podes descobrir isso.

    Mas tenta não tomar decisões importantes a partir do medo de estar atrasada.

    Não escolhas uma carreira porque toda a gente parece estar a escolhê-la.

    Não aceites uma oportunidade apenas para teres alguma coisa para mostrar.

    Não transformes a conquista de outra pessoa numa acusação contra ti.

    E não uses a idade como prova de que devias estar mais longe.

    A tua vida não tem uma data de validade para começar.

    Podes começar agora.

    Podes recomeçar.

    Podes mudar de área.

    Podes descobrir uma nova coisa aos 20, aos 25 ou aos 30.

    E talvez um dia olhes para trás e percebas que não estavas atrasada.

    Estavas apenas a construir o teu caminho num ritmo que não parecia igual ao dos outros.

    E tudo bem.

    Não precisas chegar primeiro.

    Precisas chegar a um lugar que realmente seja teu.

  • Como descobrir o que fazer profissionalmente

    4-5 minutos

    Durante muito tempo, achei que em algum momento simplesmente ia descobrir o que queria fazer profissionalmente.

    Como se houvesse uma profissão certa à minha espera e, quando eu encontrasse, tudo faria sentido: eu saberia o que estudar, que competências desenvolver, onde trabalhar e, finalmente, para onde estava a levar a minha vida.

    Só que a realidade é bem menos organizada do que isso.

    E talvez uma das coisas que mais dificulte descobrir o que queremos fazer seja precisamente a pressão para termos uma resposta definitiva.

    E se não souberes ainda?

    É difícil admitir que não sabes o que queres fazer quando parece que toda a gente à tua volta já decidiu.

    Há quem saiba desde criança o que quer ser. Há quem escolha um curso rapidamente. Há quem já esteja a fazer estágios, a trabalhar, a construir um negócio ou a falar sobre os próximos cinco anos como se tivesse um mapa completo.

    E tu podes estar simplesmente a pensar:

    “Eu não faço ideia.”

    Isso não significa que não tenhas ambição, nem que estejas atrasada, ou que não tenhas talento.

    Às vezes, só significa que ainda não tiveste experiências suficientes para perceber o que realmente combina contigo.

    Não tentes descobrir a profissão. Descobre-te primeiro.

    Uma pergunta como “O que quero fazer da vida?” pode ser demasiado grande.

    Em vez disso, começa por perguntas mais pequenas.

    O que gosto de fazer?

    Que assuntos me fazem perder a noção do tempo?

    Que problemas gosto de resolver?

    Prefiro trabalhar sozinha ou com outras pessoas?

    Gosto de criar, analisar, comunicar, organizar, ensinar, investigar ou construir?

    Que tipo de ambiente de trabalho consigo imaginar para mim?

    O que definitivamente não quero?

    Esta última pergunta é particularmente importante.

    Porque nem sempre descobrimos o nosso caminho sabendo imediatamente o que queremos.

    Às vezes descobrimos através daquilo que experimentamos e percebemos que não é para nós.

    E isso também é progresso.

    Experimenta antes de decidir

    Uma das coisas que mais pode ajudar a descobrir uma carreira é parar de tentar decidir tudo apenas na nossa cabeça.

    Pesquisa, sim, mas experimenta também.

    Faz um curso curto. Participa num projecto. Faz voluntariado. Aprende uma competência. Conversa com alguém que trabalha numa área que te interessa. Cria alguma coisa por conta própria. Faz um estágio quando tiveres oportunidade.

    Não precisas comprometer-te com uma profissão só porque decidiste experimentar.

    Experimentar não é escolher.

    É recolher informação sobre ti mesma.

    Talvez descubras que gostas muito mais daquela área do que imaginavas.

    Talvez percebas que não gostas.

    Talvez gostes, mas não da forma como imaginavas.

    Tudo isso é útil.

    Não escolhas apenas pelo que parece seguro

    Quando estamos perdidas profissionalmente, é tentador escolher aquilo que parece mais seguro.

    O curso com mais saída.

    A profissão que toda a gente considera boa.

    A área que paga melhor.

    O caminho que os nossos pais acham mais adequado.

    E, claro, estabilidade e dinheiro são factores importantes. Não precisamos fingir que não são.

    Mas uma carreira não é apenas uma lista de salários e oportunidades.

    Também vais passar uma parte enorme da tua vida a fazer esse trabalho.

    Por isso, vale a pena perguntar:

    “Consigo imaginar-me a viver esta rotina durante alguns anos?”

    Não apenas:

    “Esta profissão dá dinheiro?”

    Não compares o teu processo com o de outra pessoa

    Talvez a tua amiga já saiba exactamente o que quer fazer.

    Talvez alguém da tua idade já esteja a trabalhar na área dos sonhos.

    Talvez vejas pessoas no LinkedIn ou nas redes sociais a construir carreiras incríveis e sintas que devias estar a fazer muito mais.

    Mas estás a comparar o teu bastidor com o palco de outra pessoa.

    Tu não sabes quantas dúvidas aquela pessoa teve antes de chegar ali.

    Não sabes quantas vezes mudou de ideia.

    Não sabes o que aconteceu nos anos anteriores.

    E, principalmente, não precisas de estar no mesmo lugar que ela.

    A carreira não é uma corrida em que toda a gente começa e termina ao mesmo tempo.

    E se mudares de ideia?

    Podes.

    Escolher uma área aos 18, 20 ou 25 anos não significa assinar um contrato com o teu futuro.

    As pessoas mudam, os interesses mudam, as oportunidades mudam.

    A vida muda.

    E, às vezes, aquilo que parecia ser o caminho certo deixa de fazer sentido.

    Isso não significa necessariamente que tomaste uma decisão errada.

    Pode significar apenas que aprendeste mais sobre ti.

    Não precisas de permanecer numa escolha apenas para provar que foste consistente.

    Começa pelo próximo passo

    Talvez nunca tenhas aquele momento mágico em que acordas e pensas:

    “É isto. Descobri exactamente o que quero fazer para o resto da minha vida.”

    Talvez descubras aos poucos.

    Uma experiência de cada vez.

    Uma competência de cada vez.

    Uma conversa de cada vez.

    Uma tentativa de cada vez.

    Por isso, se neste momento não sabes o que queres fazer profissionalmente, talvez a pergunta não precise de ser:

    “Qual é a carreira certa para mim?”

    Pode ser:

    “O que posso experimentar agora para me conhecer um pouco melhor?”

    Porque não precisas de descobrir a tua vida inteira hoje.

    Precisas apenas de encontrar o próximo passo.

    E, às vezes, é enquanto caminhamos que percebemos para onde queremos ir.