Durante muito tempo, achei que estar sozinha era a mesma coisa que estar solitária.
Se não tivesse ninguém para sair, conversar ou fazer alguma coisa comigo, parecia que faltava alguma coisa.
Até perceber que existe uma diferença enorme entre estar sozinha e sentir-te sozinha.
E aprender a gostar da tua própria companhia começa, em parte, por perceber isso.
Estar sozinha não precisa de ser triste
Às vezes, quando pensamos em fazer alguma coisa sozinhas, imaginamos logo aquela sensação estranha de estar num lugar cheio de pessoas sem ter ninguém ao nosso lado, mas estar sozinha também pode ser liberdade.
Podes escolher onde ir, o que comer, quanto tempo ficar, que filme ver, que caminho fazer.
Não precisas de esperar que alguém esteja disponível para viver alguma coisa que te apetece viver.
E, sinceramente, há qualquer coisa muito bonita em perceber isso.
Aprende a estar contigo sem precisares de te distrair
É muito fácil preencher todos os espaços vazios.
Pegamos no telemóvel.
Ligamos uma série.
Mandamos mensagem a alguém.
Abrimos o TikTok.
Estamos constantemente a consumir alguma coisa ou a falar com alguém.
E, quando finalmente ficamos sozinhas e em silêncio, podemos perceber que nem sabemos muito bem o que fazer connosco.
Por isso, talvez um bom começo seja aprender a passar pequenos momentos contigo sem precisares de preencher cada segundo.
Fazer uma caminhada.
Escrever no teu diário.
Ouvir música.
Ler.
Pintar.
Tomar um café.
Ficar simplesmente sentada a pensar.
Não precisas transformar todos esses momentos numa oportunidade de produtividade.
Às vezes, podes simplesmente estar.
Conhecer-te também acontece quando estás sozinha
Quando estamos sempre rodeadas de pessoas, é fácil adaptar-nos.
Gostamos do que o grupo gosta.
Vamos onde os outros querem ir.
Comemos o que todos querem comer.
E, sem perceber, podemos passar muito tempo sem perguntar:
“Mas eu, o que quero?”
Estar sozinha dá-te espaço para descobrir isso.
Que lugares gostas?
Que coisas te divertem?
Como gostas de passar o teu tempo?
O que te deixa tranquila?
O que realmente te interessa quando não estás a tentar impressionar ninguém?
A tua própria companhia pode ensinar-te muito sobre quem és.
Não precisas deixar de precisar das pessoas
Gostar de estar sozinha não significa tornar-te uma pessoa completamente independente que nunca precisa de ninguém.
Nós precisamos de pessoas.
Precisamos de amizade, amor, conversa, apoio, abraços e companhia.
A questão não é deixar de precisar dos outros.
É não sentires que precisas sempre de alguém para conseguires aproveitar a tua própria vida.
Existe uma diferença.
Podes amar estar com as tuas pessoas e, ao mesmo tempo, gostar de passar uma tarde sozinha.
Podes querer companhia e ainda assim saber aproveitar quando ela não está disponível.
Podes sentir saudades de alguém sem sentires que estás incompleta.
Começa pequeno
Se a ideia de passar um dia inteiro sozinha te deixa desconfortável, não precisas começar por aí.
Começa com meia hora.
Vai tomar um café sozinha.
Faz uma caminhada.
Vai a uma livraria.
Senta-te num jardim.
Faz alguma coisa que normalmente farias acompanhada.
No início pode parecer estranho.
Talvez sintas que toda a gente está a reparar em ti.
Provavelmente não está.
E, aos poucos, aquilo que parecia estranho começa a tornar-se normal.
Até chegares ao ponto em que percebes:
“Eu gosto disto.”
Talvez gostar da tua própria companhia não seja aprender a nunca te sentires sozinha.
Talvez seja aprender que estar contigo também pode ser um lugar confortável para estar.
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